Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020
Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 19 tando para descarbonizar seus ati- vos? A Brasil Energia buscou qua- tro grandes empresas – Petrobras, Shell, Equinor e Total – para res- ponder esta pergunta. No caso da Total e da Shell, a meta é zerar as emissões de CO2 até 2050, enquanto a Equinor pretende reduzir as emissões em 50% duran- te o mesmo período. Já a Petrobras assumiu meta de redução de 30% até 2025. A ideia é não ultrapassar as emissões absolu- tas de gases do efeito estufa vistas em 2015 (78 milhões de t de CO2 equivalente), mesmo com uma maior produção. CAPTURA, UTILIZAÇÃO E ARMAZENAMENTO DE CARBONO Uma das soluções já empregadas pela Petrobras no pré-sal é a inje- ção alternada de água e gás (WAG). O projeto, considerado o maior do mundo para captura de carbono no offshore, tem dupla função: a sepa- ração e reinjeção de CO2 previne o lançamento do carbono na atmosfe- ra e aumenta o fator de recuperação dos reservatórios. A companhia já injetou 15 mi- lhões de toneladas de CO2 nos campos de Tupi e Búzios, no pré- -sal da Bacia de Santos. Sua ambi- ção é atingir 40 milhões de tonela- das de CO2 injetados até 2025. Outro projeto estudado pela empresa, em parceria com a Sie- mens, é a turbina de CO2 super- crítico, que aproveita o CO2 em ci- clo fechado para geração elétrica. A tecnologia prevê a reutilização dos gases liberados pelas turbinas pa- ra aumentar a eficiência energética do sistema e poderá ser aplicada no upstream e no downstream. A Shell, por sua vez, já possui uma tecnologia de CCUS - Car- bon, Capture, Utilization and Sto- rage - comercialmente em opera- ção: a Shell Cansolv, que também pode ser utilizada para o tratamen- to de dióxido de enxofre (SO2). A solução funciona como uma lava- gem e captura desses gases no pro- cesso produtivo, para remover con- taminantes. A Shell Cansolv pode ser usada também em indústrias pesadas, co- mo a de produtos químicos, aço e cimento – segmentos onde as emis- sões de CO2 são consideradas mais difíceis de prevenir e reduzir. A companhia anglo-holandesa desenvolve ainda, em parceria com a Fapesp, o Centro de Pesquisa em Inovação em Gás Natural (RCGI) da USP, outros estudos para a cap- tura e uso de carbono, abrangendo toda a cadeia de valor da CCUS. CENÁRIO GLOBAL PRÉ E PÓS-COVID Globalmente, as aplicações de CCUS vinham ganhando impul- so antes da crise da Covid-19. No- vos projetos vêm sendo anuncia- dos desde 2018, concentrados nos Estados Unidos e na Europa, onde há incentivos fiscais e regulatórios. O projeto Northern Lights, para armazenagem de CO2 em rochas na plataforma continental norue- guesa, lançado pela Equinor, Shell e Total, é icônico. Até o momento, as companhias investiram US$ 670 milhões no projeto. Nos Estados Unidos, pelo me- nos 15 instalações de grande por- te estão em desenvolvimento, in- cluindo processamento de gás; biocombustíveis e produção de ci-
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