Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020

20 Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 TRANSIÇÃO ENERGÉTICA mento; captura direta de ar (DAC); e geração de energia a gás e carvão. O crédito fiscal ampliado e as po- líticas complementares, como o California Low Carbon Fuel Stan- dard, motivaram novos planos de investimento. Em março, o Reino Unido confirmou investimento de US$ 995 milhões em infraestrutu- ra de CCUS, incluindo o estabe- lecimento da tecnologia em pe- lo menos dois locais. Na Euro- pa, o Fundo de Inovação, de € 10 bilhões, começou neste ano a apoiar projetos CCUS (e ou- tras tecnologias de energia lim- pa). Em maio, o governo austra- liano anunciou planos para tor- nar a CCUS elegível para progra- mas de financiamento existentes. Em junho, os dois projetos da Al- berta Carbon Trunk Line no Ca- nadá se tornaram operacionais, aumentando o número de gran- des instalações operacionais de CCUS, segundo a AIE, para 21. As instalações de CCUS tam- bém estão em desenvolvimento em outros lugares, incluindo Austrália, China e Oriente Médio. O interes- se e o compromisso da indústria es- tão crescendo, incluindo metas de emissões líquidas zero. A crise provocada pela Co- vid-19, avalia a AIE, coloca em xe- que esse interesse recém-renovado na CCUS. O desenvolvimento da tecnologia pode ser afetada pelos cortes de despesas de capital anun- ciados pelas principais empresas de petróleo e gás. NOVOS COMBUSTÍVEIS Não apenas em captura e ar- mazenamento de carbono concen- tram-se os esforços das petroleiras para descarbonizar suas operações. O processo passa, também, pelo uso de novos combustíveis. É o caso da Total, que atua em dois projetos no segmento maríti- mo: os barcos de apoio (PSVs) hí- bridos, que funcionam por meio da geração a diesel e baterias; e um novo sistema de transbordo de petróleo (offloading) realiza- do a partir de uma embarcação do tipo CTV (Cargo Transfer Ves- sel), que evita emissões atreladas a uma jornada completa de na- vio-tanque na logística de expor- tação de petróleo bruto. Os barcos híbridos estão na fa- se de instrumentação e desenvol- vimento do simulador, com tes- tes previstos para serem realiza- dos em 2022, no campo de Lapa, no pré-sal da Bacia de Santos, en- quanto o sistema de transbordo já está sendo testado pela Total no mesmo campo. A companhia francesa tam- bém planeja expandir sua rede de postos no Brasil para mais de 1 mil até 2025, de olho no mercado de biocombustíveis, em especial o diesel renovável. Essa é uma aposta também da Petrobras, que produz também o bioQAV, que será obrigatório no país a partir de 2027. Tanto o die- sel renovável quanto o bioquero- sene de aviação ainda dependem do aval da ANP para serem co- mercializados. Já a Equinor pretende subs- tituir o diesel por gás natural na geração elétrica de quatro plata- formas nos campos de Peregrino e Pitangola, na Bacia de Campos, para reduzir as emissões dessas áreas em até 2,2 milhões de t en- tre 2021 e 2040. n

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