Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020

Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 27 E m 2017, quando a Petro- bras propôs à ANP a flexi- bilização dos níveis de eta- no do gás comercializado no Brasil, estabelecido em 12% pe- la norma vigente, a Resolução ANP 16/2008 virou um imbróglio. Des- de então, é objeto de discussão. O gás do pré-sal, rico neste elemento, inflama o debate. De um lado, está em jogo a desindustrialização do segmento químico, que alega ter acumula- do US$ 91,2 bilhões em déficits de 2018 até setembro de 2020. Do outro, está a oferta de gás do pré-sal pelas petroleiras, cujos custos são onerados pelas im- posições logísticas, tecnológicas, ambientais e tributárias. “No pano de fundo, a disputa é entre monopsonista (Petrobras) e monopolista (Braskem)”, infor- mou à Brasil Energia uma fonte que preferiu manter o anonimato. A Associação Brasileira da In- dústria Química (Abiquim) argu- menta que níveis mais altos de eta- no no gás tendem a ser prejudiciais para a eficiência de suas plantas, enquanto ocorre o contrário com o metano, que otimiza o processo de fabricação de fertilizantes nitroge- nados e metanol. Por isso, é do in- teresse da entidade preservar as re- gras atuais, que estipulam níveis de metano entre 85 a 88% e de etano restrito à 12%. Considerando que o gás do pré- -sal possui níveis de etano acima do teto estabelecido pela ANP, o hi- drocarboneto terá de ser entregue separadamente pelos produtores. À medida que o processo de separa- ção do gás eleva os custos de quem o produz, beneficia quem o conso- me (no caso, a petroquímica, ao ge- rar eteno a partir do etano). “A nossa aposta é que as novas expansões da petroquímica brasi- leira virão do etano, reduzindo as- sim a dependência atual da nafta. O gás do pré-sal será importante pa- ra viabilizar novas fábricas de ete- no no Brasil. Mas o seu preço será o fiel da balança, pois terá que bater a marca de US$5 a 7/MMBTU, afir- mou Fátima Giovanna Coviello, di- retora de Economia e Estatística da Abiquim. O IBP, por sua vez, é a favor da remoção das restrições dos te- ores de hidrocarbonetos e, por- tanto, da manutenção das pro- priedades energéticas do gás na- tural. A associação avalia que es- sa proposta incentiva a produ- ção, competição e oferta do re- curso, eliminando potenciais li- mitações no processamento do gás produzido no pré-sal. “Todos os consumidores serão beneficiados, sem privilégio para nenhum segmento específico, sem impactar ou demandar adequação Evolução da participação das importações brasileiras dos tipos de fertilizantes nitrogenados (2008-2018) Fonte: Elaboração da EPE com dados do Ministério da Economia, 2019

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