Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020

Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 33 da, ainda para patamares inferio- res aos de antes da pandemia, de- vem abrir espaço para os projetos, já que a ineficiência nesses casos tende a aumentar. O consumo nas linhas de produção, afinal, não di- minui na mesma proporção que a produção final. O banco de projetos disponí- veis para investimentos é também uma forma de diminuir a depen- dência das escos do programa de eficiência energética regulatório – algo que já deveria acontecer e também deve ser antecipado com a pandemia. Moana lembra que o aporte de 0,5% da receita das dis- tribuidoras, estabelecido em lei de 2000, já havia sido prorrogado diversas vezes, em “batalhas pon- tuais”, em 2007, 2010 e 2015. Para 2023, já estava prevista a redução para 0,25% - dos quais 30% agora passarão a ser direcionados para a CDE, conforme estabelecido pela MP 998, até 2025. De 1998 a 2019, foram apli- cados R$ 5,9 bilhões de 1998 a 2019, com 4.850 projetos con- cluídos, segundo a Aneel. Tal investimento resultou em uma economia de 63 TWh de ener- gia – o equivalente ao consu- mo de 32,4 milhões de residên- cias brasileiras durante 1 ano. A redução de consumo ligada ao programa resultou na retira- da do equivalente a 2,8 GW da demanda de energia no horário de ponta, comparável a 40% da carga da região Norte. Para Moana, as empresas e o segmento de eficiência energética estão saindo “da adolescência para a vida adulta”, e precisarão enfren- tar a concorrência pelo dinheiro disponível no mercado. n Economia de R$ 68,5 bi até 2035 com ar-condicionado A introdução de políticas de eficiência energética e industriais mais específicas para aparelhos de ar-condicionado podem gerar em 15 anos uma economia estimada em R$ 68,5 bilhões, de acordo com um estudo elaborado pelo Instituto Escolhas, lançado em agosto. O montante financeiro não gasto até 2035 considera a premissa de um crescimento anual de 3% nas vendas desses aparelhos e equivale, por exemplo, ao investimento em duas hidrelétricas do porte de Belo Monte. A análise também indica que o volume de energia economizada se- ria da ordem de 87,9 TWh, equivalente a 64% do consumo residencial registrado em 2019, ou ainda ao consumo de 56 milhões de residências, além das emissões evitadas em 6,7 milhões de toneladas de CO 2 , volume que corresponde ao não lançamento de gases poluentes de 2,3 milhões de veículos em um ano inteiro. As temperaturas cada vez mais altas no país demandam uso mais in- tensivo do ar-condicionado, um equipamento que exige consumo rele- vante de eletricidade, como qualquer tecnologia de aquecimento ou res- friamento. A recente expansão do uso desses produtos causou uma mudança estrutural no horário de pico nos meses do verão brasileiro, com início deslocado para às 14 horas na classe comercial. O estudo ressalta que en- tre 2005 e 2017, o consumo de eletricidade no setor residencial cresceu 61,0%, sendo que a demanda motivada pelo uso de ar-condicionado au- mentou em 237,0%. Mantido o ritmo, a demanda adicional no sistema elétrico seria de 240,95 TWh. O trabalho propõe mudanças nas políticas industrial e de eficiência energética. Aparelhos de ar-condicionado já são avaliados pelo Progra- ma Brasileiro de Etiquetagem (PBE), do Inmetro, e pelo Programa Na- cional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), mas na avaliação do Escolhas, o maior rigor na avaliação dos produtos, aproximando-se dos critérios internacionais, resultaria em ganhos de eficiência para as novas classes de etiquetagem. No aspecto industrial, a principal medida é alterar o Projeto Pro- dutivo Básico (PPB) da Zona Franca de Manaus (ZFM), no Ama- zonas, onde se localiza a maioria dos fabricantes de aparelhos de ar condicionado, com o estabelecimento de um sistema de pontos que envolveriam parâmetros como o uso de componentes mais eficientes, como compressores. Também seria prevista menor exigência de conteúdo local para com- ponentes que contribuíssem para maior eficiência energética dos apare- lhos. Os incentivos fiscais concedidos na região, neste caso, considera- riam a pontuação das indústrias.

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