Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020
38 Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 EÓLICA ra a EPE instituir leilões para a fon- te participar, entre outros pontos. Na análise de Santos, sem a ba- se regulatória, os oito projetos em licenciamento ambiental no Iba- ma terão dificuldades para ser im- plementados, pois a falta de regu- lamentação, em vários pontos dos projetos, seja em infraestrutura, lo- gística e mesmo em políticas de in- centivo, incluindo aí leilões para a fonte, criam insegurança jurídica para os altos investimentos. Apesar disso, grupos como Neo- energia, Equinor, BI Energia, Eó- licas do Brasil e Vestu Winds já se adiantaram e entraram com pedi- dos de licenciamento ambiental de projetos, principalmente no Nor- deste, mas também no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo. Embo- ra alguns projetos tenham tido a li- cença negada, caso do Caucaia, da BI Energia, de 598 MW, no Ceará, a expectativa é a de que a geração offshore dê seus primeiros passos para aproveitar o potencial no Bra- sil identificado pela EPE como de 697 GW, a 100 metros de altura, em profundidades até 50 metros. PLD HORÁRIO O conceito híbrido entre solar e eólica, próximo de ficar viável para os geradores, é mais benéfico ainda ao se considerar a entrada do PLD horário em 2021. Isso pelo motivo de em vários locais do país, prin- cipalmente na Bahia, estado com maior número de parques eólicos, a geração pelos aerogeradores ser mais forte durante a noite. Com o complemento da solar, o complexo poderá aproveitar a conexão dispo- nível para escoar a energia para o sistema nos momentos do dia em que a eólica não entrega, aprovei- tando os horários com melhores preços de energia. Esse cenário começa a incen- tivar muitos operadores eólicos a venderem PPAs de energia solar pa- ra o mercado livre para comporem seus portfólios e ficarem menos ex- postos às variações do PLD horário. Há inclusive até o receio no mer- cado de que parte desses projetos, muitos deles em Minas Gerais, on- de há isenção de ICMS para consu- midores de energia que adquiram energia gerada no estado, estejam sendo vendidos sem garantia de co- nexão à rede, já muito ocupada pe- la geração distribuída no estado re- cordista em GD. O cenário de precificação horá- ria, da mesma forma, estimula em- preendedores a complementarem seus portfólios com parques eólicos em outras regiões – caso da Omega, que adquiriu o Complexo Chuí, no Rio Grande do Sul, diversificando seu portfólio concentrado no Nor- deste – ou então para a geração hí- drica, principalmente PCHs, a fim de acompanharem a curva de car- ga com outras gerações mais firmes para elaboração de PPAs. Aliás, segundo o CEO da Ome- ga Energia, Antonio Bastos, com o portfólio diversificado de 1.869 MW de capacidade instalada, que além dos 87% em parques eólicos no Nordeste e o recente no Sul ain- da inclui geração hidrelétrica e so- lar, o PLD horário terá impacto neutralizado pelo perfil dos con- tratos e pela geografia dos ativos, que se encarregará de acompanhar a curva de carga dos clientes. Para Bastos, a geração do grupo se con- centra também em faixas horárias de carga sistêmica pesada. MODELOS DE NEGÓCIOS A complementaridade das fon- tes, diante da precificação horária, também tem poder de influenciar os novos modelos de negócios que estão sendo adotados para colocar em pé os projetos no mercado livre. Nesse ponto, isso já começa a pesar na decisão de empresas que pen- Complexo eólico Alto Sertão II, da AES Tietê deve ser o primeiro da companhia a passar por “hibridização”
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