Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020
Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 41 D epois de quebrar, em 2019, jejum de seis anos sem fechar negócios no país, a SBM volta ao centro dos holofotes. Desta vez, por conta da negociação direta com a Petrobras para con- tratação do mega FPSO de Búzios e de seu novo di- retor-geral no Brasil, Bruno de Freitas. Substituindo, há cerca de dois meses, Eduardo Chamusca, que as- sumiu posição global no grupo holandês, o executivo antecipou à Brasil Energia que aposta em um proces- so “ganha-ganha” com a petroleira brasileira. Bastante cauteloso e reservado ao longo da entrevista, afirmou que o grupo não se fecha a nenhum cliente. “Não te- mos esse luxo”. Quais são os planos da SBM para o Brasil? O Brasil é ainda um dos maiores mercados mun- diais de FPSOs. A demanda prevista de projetos é maior do que qualquer outra na região do mundo. Costumo dizer que, mesmo que metade disso não se realize, ainda assim a quantidade que sobra é muito grande. Isso do Brasil um mercado de suma impor- tância para a SBM. Não à toa, a maior parte da frota da SBM está no país, o que o torna estratégico para a empresa. Sabendo que o Brasil reúne as condições pa- ra permanecer como o seu maior mercado, é óbvio que a SBM está olhando com carinho para cá. Passados quase sete meses da pandemia da Covid-19, bem como o cancelamento de alguns projetos de FPSOs ao redor do mundo, como o sr. avalia o momento atual do setor de óleo & gás e de FPSOs? A gente costuma dizer que foi um double black swan , que ninguém espera. Se voltarmos oito, nove meses, muitas coisas que as pessoas diziam que nun- ca aconteceriam acabaram acontecendo. O impacto da Covid fez com que muitas mudanças fossem ace- leradas e implantadas por necessidade. A SBM tam- bém passou por isso. O fato de você estar conver- sando comigo hoje e o Chamusca, ex-diretor-geral da SBM no Brasil, ter assumido uma posição global dentro da SBM, é um exemplo. Em relação aos FP- SOs, a África, por exemplo, teve vários projetos pos- tergados. No Brasil, também tivemos projetos sendo reavaliados, mas entendemos que isso fez parte do momento. Afinal, o impacto da pandemia e da queda do preço do barril de petróleo foi muito forte. Antes da pandemia, a expectativa era de um boom de encomendas de FPSOs para o período 2021-22, com gran- de parte concentrada no Brasil. Qual a leitura que a SBM faz para o novo cenário? Nosso objetivo é ganhar de dois a três FPSOs por ano. Embora tenha ocorrido atraso em alguns projetos, acreditamos que ainda existe demanda. A gente perce- be também o movimento do mercado, principalmente nesse eixo Américas. México, Guiana, Suriname e Brasil são países que têm ganhado relevância. Você pode ver até pelo próprio press release que a SBM fez, no dia 1 o de outubro, a respeito da assinatura da Liza 3 para Payara. A SBM já possui alguma avaliação precisa sobre o im- pacto da Covid-19 na obra de construção do FPSO Sepetiba, destinado a Mero 2? Bom, não comentamos muito sobre projetos em an- damento. Isso é confidencial. O que eu posso falar é que a Covid teve impacto na cadeia como um todo e o que a SBM fez foi tratar pontualmente, de novo, operações e projetos. Sei que você está perguntando a respeito de Me- ro 2, mas o que posso dizer é que a gente continua traba- lhando com foco e o prazo acordado com a Petrobras. Então, ainda assim o cronograma segue mantido para 2022? Exatamente. Não vou comentar o cronograma da obra, mas vamos imaginar que se tem um impacto da Covid no começo, no meio ou no fim da obra, cada um terá um impacto diferente. Às vezes, você está depen- dendo mais de mão de obra, que não pode trabalhar, pode depender de materiais para começar a obra, mas posso garantir que não foi o caso. Conseguimos tratar a questão de maneira eficiente. Tanto é que a gente colo- cou nos nossos resultados que o impacto da Covid para o projeto de Mero 2 foi bem contornado. Qual o estágio atual da obra do FPSO Sepetiba? Isso eu teria até que perguntar aos universitários para passar, mas posso falar que o contrato foi assina- do no ano passado e a plataforma começa a operar em 2022. Ou seja, estamos aí com 15 meses de projeto. O FPSO Sepetiba marcou a retomada dos negócios da SBM no Brasil, tendo sido arrematado em um momento em que a indústria local vivia fase delicada e muito diferente de anos atrás, sendo dificultado ainda mais pela Covid e a que-
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