Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020
ENTREVISTA Bruno de Freitas 42 Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 da do preço do barril. Já é possível realizar um balanço e ti- rar lições disso? A SBM se preparou durante todo esse hiato. Tan- to é verdade que entramos com força para ganhar o projeto de Mero 2. Toda a preparação que a com- panhia fez durante esse tempo rendeu frutos. O fas- t4ward é prova disso. A empresa, durante aquele pe- ríodo, olhou para frente para se preparar melhor e se tornar mais competitiva. É isso que a indústria busca, e o fast4ward atende, é visível. O modelo já está sendo replicado na Guiana e no Brasil. Como o sr. vê a questão do conteúdo local, tendo em vis- ta esse novo cenário da Covid-19? Existem empresas capazes de fornecer no Brasil e atender as exigências do conteúdo local. O trabalho que fizemos demonstrou a viabilidade do conteúdo local. No passado, tivemos a parceria com o estaleiro Brasa. Fize- mos várias apresentações externas mostrando aos for- necedores o que precisávamos e buscamos a inteligência de mercado para saber quem estava fornecendo, quais os últimos projetos de empresas para trazer esse conhe- cimento internamente e, com isso, atender os projetos. Como será o conteúdo local do FPSO Sepetiba? O que se- rá feito efetivamente aqui e qual será o estaleiro local uti- lizado? Isso ainda não está definido, pois faz parte da estra- tégia de negociação. Ainda estamos em ummomento de contato com os players na estratégia de negociação. Não posso falar sobre projetos em andamento. Isso é uma questão da SBM e da própria Petrobras. Sob a gestão de Roberto Castello Branco, a SBM é a pri- meira empresa a iniciar um processo de negociação dire- ta com a Petrobras. Isso acontecerá em meio a um cenário mundial peculiar. Qual o desafio do projeto do FPSO Almiran- te Tamandaré (Búzios 7)? Acho que são batalhas, pois você trabalha e conse- gue mostrar o valor que a empresa pode apresentar. De novo, não tenho como não falar do fast4ward. Se você pegar o comunicado da Petrobras, vai ver isso. Aquela semente plantada lá atrás, em um momento de crise, mostra que está dando frutos agora, anos depois. Isso mostra que foi uma decisão acertada da SBM de tomar essa iniciativa, tentar se reinventar e inovar. Essa nego- ciação vem como fruto de trabalho feito em uma outra crise anterior. Isso mostra que, mesmo durante a crise, nada vai parar. Vamos ter projetos em andamento. Quantos pedidos de casco a SBM possui no momento? Quantos já estão comprometidos e quantos disponíveis? Hoje, estamos com cinco pedidos, entre comprome- tidos e não comprometidos. Temos dois para Exxon- Mobil, já anunciados, e um fast4ward sendo utilizado para FPSO Sepetiba. Ou seja, temos dois disponíveis. Os dois disponíveis já estão em execução ou só na fase de pedido? Não posso falar em que pé nós estamos. Em sua avaliação, a estratégia de negociação direta da Petrobras demonstra amadurecimento da companhia no processo de contratação no atual contexto do setor? Isso mostra que a Petrobras está avaliando o merca- do, ou seja, que está olhando o que está acontecendo no mundo inteiro e o que é possível ser feito ou não. O fato de a Petrobras fazer um tender, exemplo Mero 2, Me- ro 3 e Mero 4, e de abrir uma negociação direta, mostra que a companhia está antenada a todas essas possibili- dades. Enquanto todos esperavam a continuidade da- quele padrão, a companhia surpreendeu o mercado. De repente, a Petrobras analisa e vê que o mundo está mu- dando, seja pela questão do double black swan , da ques- tão pós-Covid. Vemos isso com bons olhos. O sr. acha que a capacidade de atendimento da indústria pesou na decisão da Petrobras de partir para negociação direta com a SBM? Sobre pergunta da negociação direta, não posso res- ponder. Foi uma decisão da Petrobras e não há como saber o que passou por trás disso. O que posso dizer é que, realmente, a gente acha que a Petrobras está aten- ta a todos movimentos do mercado mundial. Em seu comunicado, a Petrobras afirma que, nesse momento, a SBM é a única empresa capaz de atender a sua neces- sidade. Não lembro bem as palavras, mas é um marke- ting muito positivo para nós. O mercado aposta que a Petrobras será extremamente dura na negociação com a SBM. O que o sr. espera? Espero uma negociação justa. Entendo que a Petro- bras enxerga o valor que a SBM é capaz de entregar para ela. Para mim, eu diria que é o clássico win win situation .
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