Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020

Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 53 do que certezas, BP, Enauta e Pe- troRio (Brasoil) entraram em es- tágio de alerta ainda maior. O fa- to de a Total ter desistido das áre- as, mesmo diante dos bons resul- tados que vem assegurando com a Apache no Suriname, foi inter- pretado como descrença na libe- ração da licença. NOVO CONTEXTO A saída da Total ocorre num cenário diferente de 2013, quan- do foi realizada a última aposta na Foz do Amazonas; a aquisição de 12 blocos na 11ª rodada, entre as 14 áreas que receberam pro- postas. Na ocasião, não havia co- nhecimento, pelo menos formal, sobre o imbróglio dos corais e o preço do barril do petróleo gira- va em torno dos US$ 100, o que compensava os riscos de operação na região. Ao contrário do mo- mento atual, as petroleiras esban- javam saúde financeira. Sem infraestrutura próxima de apoio e com correntezas que exi- gem equipamentos mais robus- tos, o custo de operação na Foz do Amazonas é alto. Antes da crise do setor, o preço de um poço na região chegou a cerca de US$ 350 milhões, ante a média das outras bacias de US$ 150 milhões. Hoje, após rodadas e mais ro- dadas de negociações entre petro- leiras e seus fornecedores, estima- -se que o custo de perfuração na Foz possa ter caído para um valor próximo de US$ 150 milhões. MILHÕES NA MESA Total, BP e Petrobras desem- bolsaram R$ 621,5 milhões pela aquisição dos cinco blocos. Do total, R$ 345,9 milhões foram destinados ao bônus do FZA- -M-57, valor recorde até então. As três companhias, acompanha- das da Ecopetrol, Enauta, BHP, Brasoil, que também arremata- ram ativos exploratórios na ba- cia durante a rodada de 2013, deixaram na mesa a polpuda so- ma de R$ 768,3 milhões, somen- te com o pagamento dos bônus de assinatura. Além das cifras gastas com o bô- nus de assinatura, as companhias desembolsaram também outros milhões de dólares na aquisição de dados sísmicos e no processo de li- cenciamento ambiental. Diante do alto custo de operação e da maior percepção de dificuldade no pro- cesso de licenciamento ambiental, algumas companhias foram desis- tindo ao longo tempo e devolvendo ativos, enquanto outras tentaram, sem sucesso, realizar operações de farm-out. A primeira a jogar a toalha foi a BHP, que devolveu seus dois blocos em 2018. Mais recentemente, em março de 2020, foi a vez da Ecope- trol desistir do FAZ-M-320. HISTÓRICO DA FOZ Considerada uma área de fronteira, a Bacia da Foz do Ama- zonas ainda é pouco conhecida. Desde a abertura do setor pe- tróleo, foram perfurados apenas dois poços na região, um pela Pe- trobras e outro pela BP, no BM- -FZA-1, em 2004. Na ocasião, a campanha confirmou a presença de indícios de gás natural e pe- tróleo, mas o projeto não se mos- trou viável economicamente. Os resultados da ExxonMo- bil na Guiana e da Total/Apache no Suriname fizeram aumentar a crença de sucesso na Foz do Ama- zonas, mas não foram suficien- tes para amenizar o risco e a ten- são relacionada ao processo de licenciamento na região. Passa- dos quase sete anos da realização da 11ª rodada e quase dois anos após o indeferimento do processo de licenciamento da Total, a ba- cia enfrenta mais baixos que al- tos, sem ter qualquer atividade de campo em curso em nenhum dos nove blocos sob concessão no momento. Diante do cenário de indefini- ção e das altas cifras já investidas, não será surpresa se o problema da Foz do Amazonas for levado à Jus- tiça por algum operador, por conta dos compromissos de trabalho fir- mados e não executados e o conse- quente e questionado pagamento de multas. Em jogo, está a perfuração ou não de até 11 poços exploratórios e todo o debate ambiental em rela- ção aos corais. No caso dos blocos FZA-M-57, FZA-M-86, FZA-M-88, FZA-M-125 e FZA-M-127, o pro- grama de trabalho apresentado ao Ibama prevê a perfuração de cinco a sete poços exploratórios. A Brasil Energia publica, a se- guir, uma linha do tempo completa da Foz do Amazonas, com todos os acontecimentos desde a aquisição dos blocos da 11ª rodada. n para ver a cronologia dos principais fatos da Foz do Amazonas CLIQUE AQUI

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