Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020

52 Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 PETRÓLEO e na viabilidade de obtenção da li- cença ambiental, a despeito dos problemas que se arrastam sem de- finição há sete anos. O posiciona- mento poderia, segundo analistas, ajudar a desatar o nó do processo de licenciamento da bacia, garan- tindo sobrevida às atividades na área de fronteira. Mas se resolver sair das áreas, a petroleira jogará uma pá de cal - talvez definitiva - nos planos das demais operadoras. No mercado, prevalece a avaliação de que a per- manência da Petrobras nos proje- tos é fundamental para tentar con- ter uma debandada geral das outras empresas. Depois do estrago causado pelo processo de licenciamento da Total e de toda repercussão em relação à polêmica dos corais na região, há quem aposte que somente a Petro- bras teria condição de obter suces- so na obtenção de licença. Afinal, a companhia brasileira conhece a Ba- cia da Foz do Amazonas e o funcio- namento do Ibama como nenhuma outra empresa. VESPEIRO Diante da sensibilidade da ques- tão, Petrobras, Total e BP evitam fa- zer comentários ou detalhar qual- quer questão em relação ao que aconteceu e o que está por vir. A de- cisão da petroleira francesa esquen- tou ainda mais o já delicado clima com a Petrobras, comprometido desde a operação de aquisição do campo de Lapa, na Bacia de Santos. Até o início de setembro, pre- valecia a aposta de que a Petrobras poderia assumir a operação dos blocos, ainda que temporariamen- te. O problema é que, com a deci- são anunciada no final de setembro de sair da Foz do Amazonas, a Total coloca no colo da Petrobras não só a posição de operadora, mas tam- bém o percentual de participação extra de 40%, que vem atrelado a todo investimento referente a esse percentual. Até o anúncio da saída da pe- troleira francesa, Petrobras e BP de- tinham, cada uma, participação de 30% nos blocos. Além dos cinco blo- cos - FZA-M-57, FZA-M-86, FZA- -M-88, FZA-M-125, FZA-M-127 -, as duas empresas integram ainda o consórcio do bloco FZA-M-59, ope- rado pela petroleira inglesa e tam- bém arrematado na 11ª rodada. O incremento de participação na Foz do Amazonas ocorre no momento em que a Petrobras con- centra os seus investimentos no pré-sal, ampliando cada vez mais o processo de venda de ativos de E&P em áreas fora do cluster de Santos. Outro fator conflitante na questão diz respeito ao já anunciado corte de investimentos da companhia no segmento de exploração, adotado em alinhamento às medidas de re- siliência frente à crise do preço do barril do petróleo. EXPECTATIVA DE DESINVESTIMENTO Omais provável é que a Petrobras assuma temporariamente a operação dos blocos, buscando a venda par- cial ou integral dos ativos. Há quem tema, no entanto, a possibilidade de que a petroleira brasileira siga a es- tratégia da Total. E poucos são os que creem que a empresa manterá com- promissos tão altos com a participa- ção de 70%. Diante do cenário de preços nada favorável, não será surpresa também se a petroleira brasilei- ra optar por perfurar pelo menos um poço exploratório na área na tentativa de gerar valor antes de uma possível venda dos ativos. A Petrobras não opera blocos na Foz do Amazonas desde 2016, quando perdeu a concessão do BM-FZA-4. O último poço exploratório da petroleira brasileira na região foi perfurado em 2011. A campanha teve que ser interrompida depois que fortes correntezas provocaram o deslocamento da sonda Ocean Whittington, que pertencia à Dia- mond. Apesar do tempo de jejum, a equipe de Exploração da Petro- bras mantém o interesse pela re- gião, motivada pela possibilidade de descoberta de uma nova fron- teira, a exemplo dos resultados al- cançados por outras petroleiras na Guiana e Suriname. Preocupadas com o proces- so de licenciamento ambiental na região, e em meio a mais dúvidas Saída da Total ocorre em contexto completamente diferente de 2013, última vez em que blocos foram arrematados na região

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=