Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020
Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 77 todas essas crises que o setor viven- cia desde 2014. Não podemos atri- buir essa ociosidade de frota exclu- sivamente aos efeitos deletérios da pandemia”, ressalta Schaefer. A pandemia, no entanto, atra- sou a expectativa de recuperação. Para o presidente da Abeam, Luis Gustavo Bueno Machado, o equi- líbrio entre oferta e demanda deve vir apenas entre o segundo semes- tre de 2022 e o primeiro de 2023, segundo as projeções de mercado atuais. De acordo com o diretor Co- mercial da DOF Brasil, Elias Abibe, o número de embarcações em ope- ração no Brasil não deve cair mais do que o patamar atual. A expecta- tiva é que haja crescimento na de- manda com os investimentos da Petrobras e de IOCs, como Equi- nor, Total e ExxonMobil, ressaltou. Apesar do corte de 37% em seus investimentos planejados entre 2020 e 2024, a Petrobras tem movi- mentado o mercado de FPSOs com o lançamento de licitações para o desenvolvimento de Búzios, além de iniciar o licenciamento ambien- tal para a 4ª etapa de desenvolvi- mento do pré-sal. A estatal é a principal contra- tante de embarcações de apoio no Brasil, com 219 barcos afretados. Em março, como resposta aos efei- tos da pandemia na indústria de O&G, a Petrobras deflagrou duas ondas de renegociação de contra- tos como medidas de resiliência. “A primeira foi aplicada indis- criminadamente, para todas as em- presas e tipos de barcos, implican- do em diferimento de pagamento de receitas e alguns cancelamentos antecipados. Menos de um mês de- pois, a Petrobras aplicou uma se- gunda onda mais específica para embarcações do tipo PSV”, lembra Schaefer. A DOF Brasil, que tem uma das maiores frotas de AHTS no país, foi uma das empresas que renegocia- ram com a Petrobras. A companhia teve dois contratos cancelados com a estatal, que previam a rescisão an- tecipada. Soma-se às renegociações e aos adiamentos de projetos – fruto da revisão de capex das petroleiras –, o aumento de 30% nos custos das empresas, associados à pandemia, segundo estimativa da Abeam. Além disso, o cenário de sobre- oferta de embarcações também le- vou a queda das taxas diárias, de pelo menos 25% a 30%, de acordo com o gerente da DOF Brasil, em- presa do grupo DOF. Embora as taxas tenham sido reduzidas sig- nificativamente, é difícil precisar o quanto porque as contas são muito individualizadas. Impactados pelo cenário global, os armadores Siem, Solstad e DOF registraram prejuízos operacionais de aproximadamente US$ 241 mi- lhões, US$ 110 milhões e US$ 19,5 milhões, respectivamente, no se- gundo trimestre deste ano. Em re- lação ao período anterior, apenas a DOF conseguiu reduzir as per- das, enquanto Siem e Solstad viram seus prejuízos crescerem em 90% e 80%, respectivamente. Com o caixa prejudicado, as empresas devem ainda arcar com o pagamento dos financiamentos pa- ra expansão da frota de apoio ma- rítimo brasileira. O Fundo da Ma- rinha Mercante (FMM) é a fonte principal de financiamento, com o BNDES como seu maior agente financeiro, repassando em média 70% dos recursos a partir de 2007, segundo estudo do banco publica- do em março. O saldo devedor da carteira de apoio marítimo do BNDES é de R$ 17,1 bilhões, informou o banco via assessoria de imprensa. Destes, R$ 1,33 bilhão deve ser pago neste ano – sendo que R$ 1 bilhão já foi liqui- dado – e R$ 2 bilhões são esperados para 2021. A diferença entre os valores es- perados para 2020 e 2021 decorre de boa parte da carteira de apoio marítimo ter aderido à suspensão temporária, por até seis meses, de pagamentos de principal e juros da dívida ( stand still ) oferecida pelo BNDES com o objetivo de mitigar os efeitos da pandemia de Covid-19 no Brasil. A extensão do stand still é um pleito da Abeam. A vice-preside- note executiva da associação res- salta que o programa do BNDES foi bem sucedido e que não há ex- pectativa de inadimplência no se- tor. A nível institucional, a Abeam tem trabalhado, junto a agentes fi- nanceiros e ao Ministério de Infra- estrutura, para que os stakeholders “consigam enxergar a necessidade de fôlego que as empresas preci- sam nesse momento de pandemia e pós-pandemia”, diz Schaefer. Para o diretor da DOF Brasil, o mercado tem que achar um ponto de equilíbrio. “As empresas estão se esforçando ao máximo para não fi- carem inadimplentes, as contratan- tes têm que entender que não se so- brevive com essas taxas tão baixas e os bancos têm que entender que tem que se dar uma ajuda”, destacou. n
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