Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020

ENTREVISTA Ricardo Bedregal 78 Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 UM BARRIL DE APOSTAS POR FELIPE SALGADO C om a argúcia própria de um geólogo, o Head de Upstream da IHS Markit para América Latina e América do Norte Offshore, Ricardo Bedre- gal, “escava” os fundamentos da geopolítica do petróleo, os efeitos da Covid-19 sobre a demanda glo- bal, os impactos para o setor de energia no caso de uma eventual eleição de Joe Biden, o esgotamento do ciclo de bonança do shale americano e, como não poderia deixar de ser, o pré-sal. Após sucessivas reviravoltas da oferta e da demanda, como você avalia os fundamentos do mercado global de pe- tróleo para um cenário pós-pandemia? Desde abril, os fundamentos do mercado global de pe- tróleo estão se recuperando , abrindo caminho para uma lenta melhora nos preços no médio prazo. Esta recupe- ração está baseada em fundamentos de mercado mais elaborados e num forte apoio econômico e financei- ro dos Estados Unidos, Europa, Japão e China. Como vimos, os cortes de produção recordes realizados pela Arábia Saudita e seus parceiros da Opep+, juntamente com os realizados na América do Norte e em outros pa- íses, também desempenharam um papel fundamental na aceleração do reequilíbrio dos mercados. Quais são as estimativas da demanda global segundo a IHS Markit? Em agosto desde ano, a IHS Markit estima que a de- manda global de líquidos atingiu cerca de 89% do ní- vel de um ano atrás, liderada por recuperações na China continental, Estados Unidos e Europa. Em nosso cená- rio base, estimamos que a demanda chegue a uma mé- dia de 94,4 MMbbl/dia para o último trimestre de 2020, contribuindo para uma primeira baixa no inventário de estoques de petróleo. Como consequência desses fatores, nossa perspectiva atual para o preço do petróleo Brent para o biênio 2020-2021 é de cerca de US$ 6,4/bbl e US$ 5/bbl mais alta do que nossa perspectiva do segun- do trimestre, respectivamente. Uma recuperação mais rápida da demanda global de petróleo dependerá de qual será o “grau de contenção” da Covid-19. Para nós, há uma clareza sobre o que definirá a trajetória da eco-

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