Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020
86 Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 GÁS NATURAL A necessidade de ampliar a infraestrutura de trans- porte e logística de gás é talvez um consenso en- tre os diferentes agentes do setor, principalmente considerando que a malha disponível tem apenas 9,4 mil km de gasodutos, majoritaria- mente no litoral. Mas a expansão depende de crescimento consisten- te da demanda e projetos firmes no interior do país, segundo especia- listas ouvidos pela Brasil Energia . Para o diretor da Leggio con- sultoria, Marcus D´Elia, a deman- da só se concretiza por meio do uso industrial ou para geração elé- trica, com os principais projetos de usinas termelétricas na costa do país. Cerca de 50% do gás natural é destinado para a indústria e 30% para geração de energia, segundo dados do MME. No caso das térmicas, por mui- tas estarem em instalações portuá- rias, o GNL importado acaba sendo a melhor opção, o que não contri- bui para a construção dos gasodutos offshore (rotas de escoamento). De acordo com D´Elia, há interesse em aumentar o uso de gás em indús- trias, como fábricas de fertilizantes, porém o consumo atual não é sufi- ciente para gerar investimento em gasodutos, principalmente os mais extensos, como os que estão previs- tos para escoar o gás do pré-sal. “Para geração de energia, os projetos já estão no litoral. Vão im- portar o GNL, usar o terminal. O consumo gerado pela térmica nor- malmente não está sendo criado para construção de gasodutos. De certa maneira perde-se deman- da para geração elétrica que pode- ria gerar construção de gasodutos. Precisamos de projetos importan- tes no interior ou ao longo da rede existente para viabilizar novos tre- chos”, diz D´Elia. Apesar da aparente rivalidade e da volatilidade do preço do GNL, es- se combustível pode ser um indutor também da expansão da malha. A demanda inicial atendida por GNL cria massa crítica para viabilizar ga- soduto, avalia o diretor executivo de gás natural do IBP, Luiz Costamilan. Olho: Com novo marco regu- latório, MME estima investimen- tos de R$ 32,8 bilhões em nova infraestrutura de oferta, sendo R$ 17,1 bilhões em UPGNs e ter- TRANSPORTE E O MARCO REGULATÓRIO Expansão deve atrair R$ 32 bilhões, enquanto projetos no interior e demanda sustentada são desafios POR BRUNO POSTIGA
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