Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020

Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 89 “Além disso, o desengargala- mento e a expansão do sistema de transporte de gás natural, a inter- conexão dos novos terminais de GNL (SE e RJ) e de novas ofertas, tanto do pré-sal quanto as do Rea- te são exemplos [expansão da ma- lha]. Na medida em que o merca- do competitivo promova o cres- cimento da demanda, os investi- mentos acompanharão essa ex- pansão”, complementa Rogerio Manso, presidente-executivo da associação de empresas de trans- porte em gasodutos (ATgás). Manso acredita que a propos- ta do PL, que estabelece a mudan- ça do regime de concessão para au- torização na construção de infra- estruturas, agilizará investimentos. O desinvestimento da Petrobras no segmento é visto com bons olhos. “Na medida em que movimentos da Petrobras promovam a interli- gação de gás novo do pré-sal ao sis- tema de transporte, haverá mais in- vestimentos e avanços na interiori- zação”, afirma. O acesso às infraestruturas é visto como ponto chave para maior competição e o PL estabelece aces- so não discriminatório, ou seja, se tiver gasoduto ocioso o dono tem o compromisso de compartilhar. GN X GNL X GNC Estudo da EPE sobre moneti- zação do gás offshore mostra que a opção por gasoduto é mais vi- ável que gás comprimido e GNL via embarcação na maior parte dos casos, dependendo da demanda transportada e distância. Nos gasodutos de escoamen- to submarinos ligados a UPGNs, a EPE identifica maior viabilida- de em comparação com outras so- luções tecnológicas em distâncias inferiores a 500 km e volumes aci- ma de 12 MMm³/d. Para gasodu- tos de 100 km a capacidade míni- ma para justificar a infraestrutura é de 13 MMm³/d. CRESCIMENTO REGIONAL Alguns estados avançam na construção de um arcabouço legal para estimular o consumo e a am- pliação da malha de dutos. No fi- nal de setembro o governo do Es- pírito Santo sancionou lei que es- tabelece um novo marco regulató- rio do gás natural no estado, pro- metendo abrir o mercado e atrair projetos e investimentos. Criada em 2018, para substituir a BR na distribuição de gás canali- zado no estado, a ES Gás preten- de investir R$ 300 milhões em in- fraestrutura de distribuição e au- mentar de 60 mil para 100 mil o número de clientes. Segundo o presidente da empresa, Heber Re- sende, o consumo residencial se- rá o carro-chefe dessa expansão. Resende revela que várias empre- sas querem vender gás para a com- panhia, “mas a principal questão é como conseguirem trazer”. Segundo a EPE, a rota 6 do pré-sal pode ter o estado como destino, via Porto Central, com investimentos de R$ 2,5 bilhões, e R$ 2,6 bilhões na construção de uma UPGN. No pós-sal, há du- as rotas possíveis ao custo de R$ 3,1 bilhões cada e R$ 2,6 bilhões em cada UPGN, com escoamento para o Porto Imetame ou UPGN Cacimbas. O presidente da ES Gás acre- dita que no curto prazo o de- sinvestimento de campos com grande concentração de gás da Petrobras pode aumentar a pro- dução no estado e estimular no- vas rotas de escoamento. Além disso, Resende destaca que o crescimento do polo industrial de Linhares será um indutor lo- cal de expansão. A ES Gás anun- ciou a construção de um gaso- duto de 28 km, conectando a UPGN Cacimbas, na costa, ao município, eliminando o trans- porte do gás comprimido em carretas. Com investimentos de R$ 40 milhões, o gasoduto te- rá capacidade de escoar 200 mil m3/dia e a previsão é operar no início de 2022. n “ Talvez a única rota offshore viável hoje seja a de Sergipe. Tem bom volume de gás e distância curta do litoral. Poderia gerar energia ou alimentar uma UPGN Marcus D´Elia ” .

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