Brasil Energia | Ed. 466 - Dezembro, 2020

Brasil Energia , nº 466, 1 de dezembro de 2020 13 zando fontes de energia renová- veis. É o chamado hidrogênio ver- de, gerado pela eletrólise da água, que usa a eletricidade para disso- ciar a molécula de H2O em oxigê- nio e hidrogênio, e que se contra- põe ao chamado hidrogênio cinza, o mais produzido e empregado no mundo em suas várias aplicações industriais, obtido pela reforma do gás natural, portanto com emissões de carbono associadas. Brasil e demais países com vo- cação para geração eólica, solar, hí- drica ou a biomassa têm imenso potencial para se tornarem polos de produção e – principalmente – de exportação de hidrogênio verde para atender a prevista explosão da demanda global. Caso aproveitem a oportunidade, investimentos em unidades eletrolíticas para produ- ção do hidrogênio podem ser feitos nesses países, o que não só aumen- tará o consumo de energia renová- vel existente como sobretudo esti- mulará e viabilizará a construção de novos parques eólicos, solares e de demais fontes verdes. Embora a maioria dos países desenvolvidos tenham políticas pa- ra o hidrogênio em andamento, sobretudo na Europa e na Ásia, o exemplo da Alemanha dá uma di- mensão melhor dessa oportunida- de que pode ser aproveitada pelo Brasil. Em junho deste ano o país anunciou estratégia para se tornar neutro em carbono até 2050 utili- zando o hidrogênio verde como o centro da sua virada energética. Para se encaminhar nessa rota de transição, a Alemanha reservou no seu orçamento € 9 bilhões pa- ra fomentar a oferta e a demanda do H2 verde – principalmente em transportes, como combustível pa- ra ônibus, caminhões e trens, mas também para demais aplicações in- dustriais do hidrogênio, por exem- plo na metalurgia e siderurgia, in- dústria de alimentos e de vidros. Desse total reservado, € 2 bi- lhões serão destinados para parce- rias com outros países com possi- bilidade de atender a alta demanda prevista, tendo em vista que a Ale- manha, com produção interna, só conseguirá suprir em média 10% do mercado estimado. Todo o res- tante da demanda, 90%, precisaria ser atendida via importação do hi- drogênio verde transformado em amônia líquida (por processo quí- mico com nitrogênio), o que tor- na viável seu transporte em navios- -tanque . As primeiras movimentações dos alemães para preparar es- sa cadeia de fornecimento de hi- drogênio verde envolvem países mais próximos, na África - por exemplo Tunísia ou Marrocos -, na própria Europa, aí incluin- do Portugal, Espanha ou Gré- cia, e mesmo no Oriente Médio. Mas a possibilidade de o Brasil fazer parte dessa cadeia é muito

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