Brasil Energia | Ed. 466 - Dezembro, 2020
16 Brasil Energia , nº 466, 1 de dezembro de 2020 RENOVÁVEIS média poderá abastecer mais de 20 mil ônibus – será transfor- mado, com tecnologia que o re- age com nitrogênio retirado do ar, em amônia líquida. Esta será então embarcada em navios pa- ra exportação global, principal- mente Europa e, em específico, para a Alemanha. Nos portos em que for desembarcada, a amônia líquida (volume previsto de 1,2 milhão de t/ano) será dissociada em plantas da Air Products pa- ra se tornar de novo gás hidro- gênio e daí ser comprimido pa- ra distribuição em caminhões- -tanque. Toda a operação logística no complexo e de distribuição glo- bal do hidrogênio, que inclui a dissociação, compressão e trans- porte do gás, além da opera- ção de uma unidade de separa- ção para capturar o nitrogênio do ar no processo de formação da amônia, ficará a cargo da Air Products, que investirá US$ 2 bi- lhões do total previsto no proje- to. Muito envolvida na difusão do H2 verde a empresa ameri- cana também atuará no forneci- mento das estações dispensado- ras de hidrogênio nos veículos, ou seja, nos postos de abasteci- mento do combustível para os clientes finais. NO CHILE Mesmo que o hidrogênio es- teja sendo discutido como tec- nologia disruptiva no âmbito do Plano Nacional de Energia 2050, cuja consulta pública terminou dia 13 de outubro, e a EPE este- ja trabalhando em uma propos- ta de estratégia nacional, um pa- ís vizinho, o Chile, já está mais adiantado em aproveitar a opor- tunidade. Em junho, o governo chile- no divulgou um plano nacional para o H2 verde, quando reve- lou estar tratando diretamente com vários investidores globais da área e prometeu ter em pou- co mais de um ano os primeiros complexos em instalação no pa- ís. A estratégia é se tornar um hub de exportação, aproveitan- do a energia renovável de seus parques solares e eólicos em ex- pansão e visando principalmen- te o mercado asiático, Japão, China e Coreia do Sul, já que via Pacífico a logística seria favorá- vel para embarcar navios com a amônia verde. O hidrogênio verde se encaixa também na meta do Chile de trans- formar sua matriz energética mais renovável até 2040, passando dos atuais 48% para 70%, com o au- mento da participação da energia solar, em primeiro lugar, e depois de eólicas. Segundo o Ministério da Ener- gia do Chile, ao divulgar sua estra- tégia em junho, há mais de 20 em- presas chilenas envolvidas em pro- jetos de hidrogênio verde e a meta é fazer com que até 2050 o elemen- to mais abundante da terra se torne para o Chile, no aspecto econômi- co, o mesmo que historicamente a mineração representa. Emuma projeção encomendada à consultoria MacKinsey pelo go- verno do Chile, os futuros produ- tores do país, apenas com metade do mercado estimado para o Japão e cerca de 10% do chinês, consegui- riam em 2050 exportar 25 milhões de t/ano de hidrogênio verde, o que representaria uma receita anual de US$ 30 bilhões. Ao se comparar o Chile com as dimensões do Brasil, é possível imaginar o quanto esse mercado poderia representar para a economia nacional. n No último ano os projetos de hidrogênio verde passaram de um pipeline de 3,5 GW para 15 GW, movimento que deve continuar e fazer o custo do insumo cair 64% até 2040.
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