Brasil Energia | Ed. 466 - Dezembro, 2020
Brasil Energia , nº 466, 1 de dezembro de 2020 17 Claudia Bethlem Claudia Bethlem é bióloga e consultora ambiental independente com mestrado em Oceanografia FUTURO PROMISSOR Na reta final de 2020, nosso primeiro pensamento é agradecer. É o momento também de avaliarmos o ano, para que possamos entrar em 2021 com uma visão ali- nhada ao desenvolvimento sustentável. Se a pandemia de Covid-19 trouxe estresse para to- dos os setores da nossa vida, a área ambiental recebeu alguns desafios a mais, talvez causados por uma percep- ção diferenciada sobre a questão ambiental no mundo. Enquanto a desaceleração econômica resultante da pandemia reduziu temporariamente as emissões de gases de efeito estufa, os níveis de dióxido de carbono, óxido ni- troso e metano ainda estão aumentando, com recorde na quantidade de CO2 na atmosfera. Apesar dessa tendên- cia preocupante, prevê-se que a produção de combustíveis fósseis - responsável por uma proporção significativa dos gases com efeito de estufa - continue a crescer. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afir- mou recentemente que “a luta contra a crise climática é a principal prioridade para o século 21”. Segundo ele, “a mudança para uma economia verde criará empre- gos e um ganho econômico direto de US$ 26 trilhões até 2030, em comparação com os negócios normais. E é provável que seja uma estimativa conservadora”. Como faremos para aumentar a produção e ao mes- mo tempo reduzir as emissões? O que sabemos é que as energias renováveis são mais limpas e mais acessíveis do que o carbono fóssil. A boa notícia é que a tecnologia para chegar ao net zero existe e é acessível. Em 2021, a corrida para tornar realidade todos os compromissos e metas dos países e das grandes empresas na redução de suas emissões de gases de efeito estufa ocorrerá em paralelo a um grande crescimento econômico. Fornecedores já se organizam para proporcionar às majors produtos que incorporem a redução das emis- sões. A inovação passa a ser mola propulsora dessa eco- nomia de baixo carbono. Há um compromisso das em- presas em zerar suas emissões, inclusive de escopo 3, mas várias alternativas estão sendo testadas no mo- mento, pelo mundo todo, como o green hydrogen. O investimento em novas tecnologias para veículos e embarcações elétricas ou híbridas, movidas a ener- gias renováveis ou biocombustíveis, será fundamen- tal para reduzir fontes de emissões prioritárias como as da área de transporte. Restará, ainda, o desenvolvi- mento de mais tecnologias de remoção de carbono da atmosfera, inseridas em um rol enorme de soluções ba- seadas na natureza (florestas, manguezais, recuperação dos solos). O setor privado vem tomando a dianteira de muitas inciativas, na esteira dos fundos verdes internacionais, que já injetam milhões de dólares em projetos no Brasil. No entanto, os setores de navegação e aviação ainda se encon- tram tímidos em seus processos de descarbonização. Com a vitória de Joe Biden para a presidência dos Estados Unidos, sentimos o movimento climático e to- da a sustentabilidade ganhar oxigênio para acelerar o crescimento que veio amadurecendo. A chamada economia azul oferece um potencial ili- mitado. Os bens e serviços do oceano já geram US $ 2,5 trilhões a cada ano e contribuem com mais de 31 mi- lhões de empregos diretos em tempo integral, pelo me- nos até a chegada da pandemia. Também há um impulso em direção à neutralida- de do carbono, levando em consideração diferentes es- calas, claro, de contribuição às emissões globais. Mui- tas cidades estão se tornando mais verdes, a economia circular reduz desperdícios e as leis ambientais estão se adaptando às demandas do mercado. O Global Environmenl Facility (GEF), ou Fundo Global para o Meio Ambiente, um dos maiores finan- ciadores de projetos ambientais no mundo, financia 67 projetos nacionais (U$ 593 milhões), além de 56 incia- tivas regionais ou globais, nas quais o Brasil está inclu- ído (U$ 915 milhões). Uma agenda ambiental positiva é indispensável pa- ra aumentar o estímulo à economia verde. Afinal, em 2020, a sustentabilidade atingiu indivíduos, empresas, negócios e projetos, ganhou prioridade nos investi- mentos e está mais disseminada no setor empresarial.
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