Brasil Energia | Ed. 466 - Dezembro, 2020
Brasil Energia , nº 466, 1 de dezembro de 2020 47 não haveria espaço para a construção de um terminal desse tipo no Porto de Paranaguá. Para Rafael Lamastra, pre- sidente da distribuidora Compagas, o projeto só tem chance de sair do papel junto com a usina térmica.“Sem isso, o projetonão fica de pé”, avalia. Para Carlos Schoeps, sócio-diretor da Replace Consultoria, a ausência de uma âncora de geração térmica difi- culta a sustentabilidade econômica dos projetos de GNL.“Você precisa de umconsumo de 4 a 5milhões dem 3 /d no longo prazo para justificar o inves- timento”, diz. Já a Cosan avança no projeto de um Terminal de GNL na Lagoa Ca- neú, em Santos, com capacidade pa- ra 14 milhões de m 3 /d. O projeto não está diretamente associado a nenhu- ma âncora de geração térmica, mas a ideia é conectar o terminal à malha de gasodutos para atender a área de con- cessão da Comgás. Ummercado com demanda suficiente para dar sustenta- bilidade ao projeto, mesmo sem uma âncora térmica. Enquanto isso, a Petrobras planeja revitalizar o Terminal de GNL da Baía de Guanabara, buscando ampliar pa- ra 30milhões dem 3 /d a capacidade do terminal. A ampliação depende de li- cença operacional do Inea e autoriza- ção da ANP, já que os testes realizados em setembro foram bem sucedidos. Segundo a companhia, o objetivo é ampliar flexibilidade operacional pa- ra que a empresa atenda os compro- missos firmados com seus clientes se- ja no segmento térmico ou não-tér- mico. Em especial, porque a empresa tem de arrendar o Terminal de GNL da Bahia, como parte do compromis- so de desverticalização das operações na cadeia produtiva do gás natural. Algumas alternativas de monetiza- ção do GNL são a distribuição em pe- quena escala,segmento emque aGolar temse destacado, cominiciativas como a distribuição por cabotagem; a im- portação de 100 mil m3/d de GNL da Argentina, para atender clientes indus- triais e postos de combustíveis no Sul dopaís; oua introduçãodoGNLcomo combustível alternativo no transporte pesado, entre outros projetos. No curto prazo, no entanto, a dis- tribuição de GNL em pequena escala encontra um cenário negativo, com a alta do dólar e uma cesta de formação de preço desfavorável.“OGLP, hoje, se encontra de 15% a 20% mais barato, o que prejudica a comercialização do GNL em small scale”, explica Schoeps. Apesar disso, os projetos continu- am ativos. E, como um bom coringa, oGNL parece ter umpapel importan- te no desenvolvimento do mercado brasileiro de gás natural, competindo com a oferta doméstica e contribuin- do para a construção de ummercado mais livre e diversificado. n Plataforma do terminal de GNL da GNA Açu, em São João da Barra (RJ)
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