Brasil Energia | Ed. 466 - Dezembro, 2020

52 Brasil Energia , nº 466, 1 de dezembro de 2020 PETRÓLEO tups para entrar no setor. Segundo ele, as empresas têmdificuldade de enxer- gar a indústria de petróleo como uma potencial cliente de suas soluções de- vido à falta de visibilidade das deman- das da indústria, que é caracterizada pela inovação fechada nos grandes centros de pesquisa, e inovação aberta ligada às universidades. “O segundo ponto é que a in- dústria de petróleo é conservado- ra e muitas vezes é difícil para ela contratar startups porque a mode- lagem de contratação é de grande porte. É uma grande indústria para contratar um fornecedor que mui- tas vezes não tem todas aquelas do- cumentações que são pedidas, o que constitui uma barreira de en- trada para as startups nesse merca- do”, declarou à Brasil Energia . Por último, outro desafio reside no estímulo a editais recorrentes. Segundo Mandarino, ainda há dificuldade pa- ra que as empresas de E&P validem e homologuem projetos que envolvam startups, recorrendo a outros agentes para coordenar esse processo, como centros de tecnologia, fundações e uni- versidades. “Para o empreendedor, is- so é muito difícil porque esse dinheiro não permeia para dentro do ecossiste- ma de inovação, ele para na universi- dade e para, por exemplo, nas linhas de pesquisa”, afirmou. A resolução da ANP permi- te que os recursos de PD&I sejam aplicados diretamente nas startups ou por meio de entidades ou ins- tituições, “com mais capilaridade para identificação de startups que atendam às suas demandas”, expli- cou a gerente de tecnologia e inova- ção do IBP, Melissa Fernandez. A gerente destacou que, após um ano da resolução, o IBP observou um movimento mais intenso na busca de parcerias e fomento a criação de hubs e ecossistemas, além de projetos multiclientes, por meio do Programa Prioritário, e aumento do interesse de investidores e aceleradoras. “O Grupo de Trabalho de Ecossistemas de Tec- nologia e Inovação do IBP tem fo- mentado que a indústria de petróleo e gás desenvolva programas para for- talecimento de um ecossistema que atenda, cada vez mais, as reais deman- das e desafios setoriais”, ressaltou. Para Mandarino, é preciso olhar para a questão com uma visão seto- rial, comestratégia de longo prazo.“Se cada empresa de forma independen- te tentar resolver apenas o seu proble- ma, teremos muita dificuldade de es- timular o ecossistema a se desenvolver. Tem que haver, portanto, uma visão unificada disso, criar uma comunida- de, um local para que os empreende- dores possam estar. Um programa só não cria inovação, ele é um primeiro passo”, declarou. OPORTUNIDADES Desde 2019, a Petrobras movi- menta, em parceria com o Sebrae, o segmento de startups voltadas ao setor de energia com o edital Co- nexões para Inovações – Módu- lo Startups, cuja segunda edição chegou ao fim em outubro, com a seleção de 18 projetos, que rece- berão investimento total de R$ 10 milhões para desenvolvimento das propostas. Em entrevista à Brasil Energia , o consultor de Inovação da Petrobras, Ricardo Ramos, ex- plicou que o modelo do programa foi construído fazendo uso do am- biente regulatório da ANP para os recursos da cláusula de PD&I. Já a chamada pública de soluções de startups e outras empresas nas áre- as de saúde, segurança operacional, otimização e automação de processos, lançada em 24 de novembro, não es- tá relacionada às obrigações.Omode- lo do edital é novo: não se trata de in- vestimento em pesquisa e desenvolvi- mento, mas sim homologação. “Estamos oferecendo oportuni- dades de tecnologias que estão ma- duras ou já em validação por ou- tras empresas ou setores em um ambiente representativo do am- biente real, onde podemos testar a tecnologia com segurança em esca- la menor, o que dá a oportunidade de depois termos um fornecimen- to em escala maior”, contou Ramos. Para o consultor, a lógica de in- vestimento em inovação deve se vol- tar para a geração de valor de deter- minada solução, independentemen- te da obrigatoriedade. “Gosto de ver a regulação da ANP como um estímu- lo e não como obrigação e, como estí- mulo, certamente foi muito bem feito, foi muito positivo para o ambiente de inovação do segmento de óleo e gás.” As inscrições para a chamada pública estarão abertas até o dia 7 de dezembro, com previsão de pu- blicação das empresas selecionadas até o final do ano. Validado o mo- delo, a Petrobras espera lançar no- vas chamadas em 2021. Além da estatal, Shell, Subsea7, SBM Offshore e Ocyan também lan- çaram editais voltados para startups. As três primeiras firmaram parceria com a aceleradora Fábrica de Star- tups, enquanto a brasileira realiza a se- gunda edição do Ocyan Waves Chal- lenge, que contou com 106 startups inscritas, das quais quatro chegaram à etapa de desenvolvimento do projeto piloto, cuja apresentação virtual acon- teceu nesta semana. “Quando se fala em startups, nor- malmente, tanto os empreendedores

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