Brasil Energia | Ed. 466 - Dezembro, 2020
56 Brasil Energia , nº 466, 1 de dezembro de 2020 SOLAR Camila Ramos. O banco havia fi- cado com pouco volume de finan- ciamento nos anos anteriores por conta da regra de exigência de con- teúdo local, que em 2020 foi altera- da, tornando-o mais competitivo. Até outubro, foram contratados R$ 910 milhões via BNDES. Em 2018 o volume foi de R$ 1,2 bilhão, en- quanto em 2019 não houve con- tratação declarada para construção desse tipo. GERAÇÃO DISTRIBUÍDA Em relação à geração distribuí- da, Camila afirmou que as princi- pais fontes de financiamento estão sendo o Santander, o Banco Voto- rantim (BV) e o Sicredi. “A maior participação de bancos privados nesse segmento se dá por causa da maior agilidade que eles oferecem para aprovação do financiamento, além de melhores condições. As ga- rantias pedidas pelos bancos de de- senvolvimento são mais pesadas do que as dos privados”, afirma. Em novembro, a Santander Fi- nanciamentos decidiu alongar de 60 para 72 meses (seis anos) o pla- no de pagamento de equipamentos fotovoltaicos. E ampliou de 90 para 120 dias o período de carência pa- ra o vencimento da primeira par- cela. As medidas, informou a insti- tuição, são resposta a um estudo de mercado que aponta o prazo de 120 dias como o tempo adequado pa- ra começar a pagar o financiamen- to, enquanto se aguarda por trâmi- tes como importação dos equipa- mentos, disponibilidade e instala- ção completa do sistema. O superintendente de estraté- gia do segmento de Bens e Servi- ços da Santander Financiamen- tos, Fábio Mascarin, disse à Brasil Energia que a demanda vem cres- cendo na ordem de 20% ao mês desde janeiro. Para 2021, a expec- tativa é de aumento de 40% no vo- lume financiado. O principal fo- co são os projetos conhecidos co- mo “telhados solares”. No caso de pessoa física, os projetos giram em torno de R$ 40 mil a R$ 50 mil, já de pessoa jurídica, por volta de R$ 150 mil a R$ 200 mil. O Santander já financiou mais de 40 mil projetos de geração solar distribuída em todo o país, desde 2018. De acordo com pesquisa da consultoria Greener, o Santander é o banco mais usado para esse tipo de financiamento, com 40,8% de participação de mercado. DEBÊNTURES Outra opção de financiamen- to que vem ganhando relevância são as debêntures. Depois de um período de congelamento duran- te o auge da pandemia, que ocor- reu no primeiro semestre, o mer- cado financeiro prepara até o fim do ano R$ 1,2 bilhão em emissões de debêntures de infraestrutura pa- ra projetos eólicos (70%), solares e, em menor patamar, de PCHs, esti- ma o Santander. As emissões têmprazos de dívida de 12 a 18 anos, e parte das debêntu- res se voltarão para financiamentos complementares de projetos, disse à Brasil Energia o responsável por project finance do banco, Igor Fonse- ca. Um exemplo são os projetos que contam com aportes limitados de bancos de fomento, principalmen- te do BNB que, além de estar com restrição orçamentária, tem limita- do a 50% as alavancagens financei- ras. Com as debêntures, há a possi- bilidade de elevar entre 20% e 30% a parte financiada dos projetos, tor- nando-os mais viáveis e aliviando as contrapartes dos investidores. Uma novidade de 2020 foi o anúncio do primeiro projeto so- lar nacional a ser totalmente finan- ciado em dólares. Em outubro, a Atlas Renewable Energy comuni- cou a obtenção de empréstimo de US$ 67milhões do BID Invest,mem- bro do grupo Banco Interamerica- no de Desenvolvimento (BID), e do DNB Bank ASA, da Noruega, para fi- nanciar a construção da usina foto- voltaica Jacarandá, de 187 MWp, no município de Juazeiro, na Bahia. A energia a ser gerada pelo empreen- dimento será destinada à subsidiá- ria brasileira da empresa norte-ame- ricana Dow, que firmou contrato de compra com prazo de 15 anos. A Cela também identificou a entrada de novos bancos na área de financiamento para energia solar em 2020, como o Bradesco, via Lo- sango, e o Banco Safra. A consulto- ria constatou ainda o aumento da atuação de fundos de investimen- tos em participações (FIPs), devi- do à queda da taxa Selic, que ele- vou a competitividade dessa fonte. Os FIPs são investimentos em ren- da variável, constituídos sob a for- ma de condomínio fechado, e são cadastrados na B3. Para 2021, a diretora da Cela es- pera que o volume de financiamen- to para a solar seja maior, à medida que a fonte fica mais competitiva, devido à queda do custo da tecno- logia e ao aumento da eficiência. E também porque, commais proje- tos em operação, as instituições fi- nanceiras podem conhecer melhor a tecnologia e, assim, sentirem- -se mais confortáveis em financiar projetos do tipo. n
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