Brasil Energia | Ed. 466 - Dezembro, 2020

64 Brasil Energia , nº 466, 1 de dezembro de 2020 COMBUSTÍVEIS do crescimento de outras fontes de energia na matriz nacional. A EPE estima um modesto au- mento da capacidade de refino dos atuais 2,3 milhões de barris/dia para 2,5 milhões de barris/dia em 2029. A união de fatores como potencial de crescimento do mercado de de- rivados, excedente de petróleo para exportação e consideráveis volumes de combustíveis importados abre oportunidades para expansão do re- fino, especialmente com os investi- mentos privados. Essa capacidade adicional de 250 mil de barris/dia de processamen- to viria de projetos de maior porte e pequenas refinarias, estas voltadas para o abastecimento de mercados regionais e de bunkers, principal- mente. Nos cenários analisados, em 2029, projeta-se aumento de 12 mil m³/dia na produção de gasolina (provocando redução de 85% nas importações do ano), 12 mil m³/dia de óleo diesel (redução de 49% nas importações do ano), além de incre- mentos de produção, para bunker (7 mil m³/dia) e GLP (3 mil m³/dia). Os impactos econômicos e sani- tários da pandemia deverão continu- ar afetando o crescimento da deman- da de derivados no curto prazo. Po- rém, para a segunda metade da déca- da de 2020, estima-se uma recupera- ção. De acordo com a EPE, a depen- dência externa da importação de ga- solina A, GLP e nafta cairá ao longo da década, com o país deixando de ser importador líquido de GLP. As projeções da empresa indi- cam que mesmo com o aumento mandatório do biodiesel, a partici- pação do diesel na matriz de trans- porte continuará sendo relevante, refletindo maior importação. Para a gasolina, há tendência da redução do consumo com o avanço dos bio- combustíveis, o que impactará na diminuição das importações. A entrada desses players é vista como fundamental para o desenvol- vimento de novos projetos de refino. “O país possui importantes direcio- nadores potenciais de investimento, em especial, com a perspectiva de ser exportador de petróleo e impor- tador líquido dos principais deriva- dos, o que permite uma janela de oportunidade para o investidor nes- te segmento”, ressalta Heloísa Bor- ges, diretora de estudos do petróleo, gás e biocombustíveis da EPE. A maioria dos projetos anuncia- dos em refinarias de pequeno por- te está localizada em estados que não possuem plantas instaladas, e focam no abastecimento regional, com vantagens em termos de cus- tos logísticos, buscando aproveitar a produção de petróleo local, espe- cialmente a terrestre. “A década será marcada por um processo de transição para um mercado com maior número de agentes e ampliação da competi- tividade. Análises da EPE indicam que eventual produção incremen- tal em refino resultaria em uma di- minuição nas importações líquidas de derivados de petróleo até o final da década”, acrescenta Heloísa. Apesar do aumento do volume de derivados a ser comercializado nos próximos anos e da necessida- de de ampliação da capacidade de refino no país apontada pela EPE, a viabilidade de alguns projetos ain- da desperta dúvidas. Para José Luiz Orlandi, diretor da consultoria Elo Energia e Logísti- ca, os projetos de refinaria que esti- verem próximos à produção do óleo, commenores custos logísticos e esco- amento terão mais chances de suces- CONSUMO FINAL DE ENERGIA POR FONTE (EPE)

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