Brasil Energia | Ed. 466 - Dezembro, 2020
Brasil Energia , nº 466, 1 de dezembro de 2020 65 so. Porém, plantas médias ou maio- res com custos mais elevados podem sofrer com a concorrência de grupos melhor posicionados no mercado. “A micro refinaria perto da boca do poço que vai vender direto ao consumidor terá maior viabilidade. Agora, quando aumenta a escala, precisa transportar petróleo, comprar de terceiros perde- -se poder de barganha e a competição com grupos maiores torna o negócio mais difícil”, alerta Orlandi. PROJETOS EM ESTUDO A Noxis Energy, empresa brasi- leira com sede no Rio de Janeiro, é a que apresenta projetos commaio- res aportes de recursos em três di- ferentes plantas. As refinarias pro- duzirão majoritariamente bunker, além de diesel, gasolina e um pe- queno percentual de GLP. A unidade de Sergipe tem custo estimado em R$ 4 bilhões, capaci- dade para processar 50 mil barris/ dia e é a mais adiantada. O proje- to já obteve licença prévia e encon- tra-se em fase de licenciamento de instalação, com previsão de iniciar a operação em 2024. Outras du- as plantas de 100 mil barris/dia, ao custo de R$ 6 bilhões cada, são previstas pela Noxis nos estados do Ceará e Espírito Santo, para 2025 e 2027, respectivamente. Segundo a empresa, o petróleo utilizado nas unidades será fornecido por produtores locais, mas também haverá cargas importadas. Os deri- vados produzidos atenderão tanto o mercado interno quanto o externo. Criada em 2020, a EnP Energy Platform chega ao mercado apostan- do no potencial do downstream. No fim de novembro, a companhia as- sinou um memorando de entendi- mento em conjunto comas empresas Oil Group e Porto Central para de- senvolvimento da RefinES (Refinaria do Espírito Santo) com estimativa de custo de R$ 3,5 bilhões. A refinaria deverá ser implanta- da em uma infraestrutura portuária no sul do estado próxima aos ativos do pré-sal e utilizará óleo médio de 29° API para produzir marine gasoil (52%), diesel (31%), gasolina (15%) e GLP (2%) e processará 50 mil barris/ dia (30mil na fase 1+20mil na fase 2). Outro projeto da companhia é a RelubES (Refinaria de Lubrifican- tes e Derivados do Espírito Santo) que diferentemente da RefinES uti- lizará petróleo de campos onsho- re do norte do estado para produzir bunker (60%), marine gasoil (21%), lubrificantes (11%) e gasolina (8%). “A unidade poderá receber óleo ma- rítimo, mas a fonte majoritária será onshore”, pontuou Marcio Felix, pre- sidente da EnP, na Rio Oil & Gas. A instalação custará R$ 1.5 bilhão e te- rá capacidade para 20 mil barris/dia. Ambas unidades têm previsão para iniciar operação entre 2025 e 2026. O Oil Group possui ainda uma parceria com o Porto do Açu, loca- lizado em São João da Barra (RJ), para a implantação de uma refina- ria modular com capacidade de até 50 mil barris/dia, focada no proces- samento de produtos claros. A unidade com custo avaliado em R$ 1.6 bilhão tem previsão de entrar emoperação em2024.Aescolha do lo- cal se deu em razão do porto oferecer vantagens logísticas tanto para recebi- mento do óleo cru do pré-sal quanto para o escoamento dos derivados para os mercados interno e externo. A empresa possui projetos para mais três refinarias modulares, de até 20 mil barris/dia nas regiões Sudes- te e Nordeste, e duas mini plantas de refino com capacidade máxima de 5 mil barris/dia no Centro-Oeste e Nordeste. Abrasileira SSOil Energy aposta no refino de pequeno porte comumami- ni refinaria que será construída nomu- nicípio de Coroados (SP), com capaci- dade para 12,5 mil barris/dia. Em no- vembro a empresa recebeudaANP au- torização de construção para o empre- endimento.A companhia irá converter uma instalação industrial para refinar petróleo e estima investimentos de R$ 14milhões noprojeto.Aplantaproces- sará óleo leve e condensados e produ- zirá gasolina, diesel, óleo combustível, além de nafta e solventes que atende- rão distribuidoras de combustível e in- dústrias químicas da região. POTENCIAL DAS MICRO REFINARIAS Em 2019, a EPE publicou uma nota técnica mostrando a viabilida- de da implantação de cinco refina- rias de pequeno porte no país, com capacidade de processamento entre 5 mil barris/dia e 20 mil barris/dia. De acordo com o estudo, o Nor- deste seria a regiãomais indicada para a instalação das plantas em virtude do potencial de crescimento econômico e grande concentração de campos ter- restres. As mini-refinarias seriam ins- taladas no Rio Grande do Norte (20 mil barris/dia), Bahia (20 mil barris/ dia), Sergipe (10 mil barris/dia), Espí- rito Santo (10 mil barris/dia) e Alago- as (5 mil barris/dia). As unidades do Rio Grande do Norte e Sergipe seriam construí- das no formato “hydroskimming”, de baixa complexidade, com uma unidade de separação atmosférica e nenhuma unidade de craqueamen- to. Já as plantas da Bahia, Espírito Santo e Alagoas seguiriam o mode- lo de craqueamento. n
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