Brasil Energia | Ed. 466 - Dezembro, 2020

68 Brasil Energia , nº 466, 1 de dezembro de 2020 GÁS O anúncio da retomada dos leilões de energia nova pelo MME, na primeira quinze- na de dezembro, já começa a criar expectativa na cadeia produ- tiva do gás natural. Até 2023, estão previstos quatro leilões de energia nova em que os projetos termelé- tricos a gás poderão concorrer, dois deles em setembro do ano que vem. Além disso, foram retiradas as res- trições de inflexibilidade operacio- nal das usinas a gás inscritas nesses leilões, o que significa que os proje- tos poderão considerar a possibili- dade de operar 24 horas. A retomada dos leilões cria um horizonte para o setor, que se or- ganiza para aproveitar a oportu- nidade. “O momento de estresse hídrico pode favorecer a adoção de térmicas a gás, porque chama a atenção para a questão da segu- rança energética”, diz o CEO da consultoria Gas Energy, Rivaldo Moreira Neto. A animação não se limita a produtores e importado- res de gás. A indústria também es- tá de olho no potencial do merca- do de geração térmica. Depois de instalar sete turbi- nas na termelétrica de Porto Ser- gipe, a maior em operação na América Latina, com capacidade de 1,5 GW, e de fornecer a solu- ção de fechamento de ciclo para o Complexo Parnaíba, adicionan- do aproximadamente 380 MW ao projeto, a GE vê os projetos a gás como bastante competitivos. “Te- mos no Brasil, escala para instalar turbinas de última geração e alta eficiência, ou seja, tanto o capex é competitivo, quanto a conversão do gás em energia é feita de forma eficiente”, avalia Daniel Meniuk, diretor-executivo da GE Gas Po- wer na América Latina. O preço do gás, componente crítico da equação, torna o cenário positivo. “O preço vem se tornan- do cada vez mais competitivo, da- da a oferta global, e a combinação de infraestrutura que o país vem construindo, seja para recebimen- to de GNL, ou para o transporte e processamento do gás produzido offshore”, diz Meniuk. Vice-presidente de Óleo & Gás e Petroquímica da Schneider Elec- tric para a América do Sul e Cari- be, Luís Felipe Kessler também tem boas expectativas para o segmento. “Globalmente, o gás vai ser o prin- cipal combustível de transição e, no Brasil, não vai ser diferente. Se es- pera um investimento na ordem de R$ 32,8 bilhões em UPGNS, termi- nais GNL e gasodutos. Temos o gás no Pré-sal, que é parcialmente uti- lizado na injeção nos campos, mas que tem volume para potencializar o mercado”. No PDE 2030, há indicação de uma expansão de 8 GW da fon- te até o final da década, saindo de 14,1 GW atualmente para 22 GW no período. PREPARO PARA A EXPANSÃO Fornecedores de turbinas se posicionam para a expansão sinalizada de térmicas a gás, animados com o retorno dos leilões em 2021 POR CARLOS VASCONCELLOS

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