Brasil Energia | Ed. 466 - Dezembro, 2020
Brasil Energia , nº 466, 1 de dezembro de 2020 69 Kessler observa ainda que as indústrias estão prontas para im- pulsionar a competitividade dos projetos a gás, consolidando ope- rações de automação e elétri- ca. Segundo ele, esta abordagem apresenta uma oportunidade de repensar as sinergias de opera- ções em grande escala, onde os custos podem ser significativa- mente cortados e a produtividade aumentada. Essa abordagem leva em consideração o custo total, ou seja, o gasto de dinheiro para al- cançar resultados independente- mente de seus custos de capital e de operação. “Por muito tempo, o gerencia- mento de energia elétrica e a auto- mação de processos foram projeta- dos e operados de forma indepen- dente”, explica Kessler. “Historica- mente, essa separação fazia sentido, mas a Internet das Coisas e a digita- lização nos permitiram atingir um nível de conectividade que geren- ciará esses dois domínios de forma diferente no futuro”. Segundo ele, tudo isso leva a Schneider Electric a ficar de olhos bem abertos para os projetos de plantas de gás, GNL e geração no país. “As iniciativas em curso no país, como a Lei do Gás, vão pro- porcionar um mercado mais aber- to, mais ativo e, com isso, hoje ve- mos alguns projetos em andamen- to.” Presente em grandes projetos como a usina GNA I, no Porto do Açu (RJ), que constrói em joint venture com a Prumo Logística, BP, a Siemens Energy também vê grande potencial de crescimento na geração térmica no mercado brasi- leiro. “Junto com nossos parceiros, investimos capital próprio para ge- ração de energia por meio de tér- micas de grande porte como essa, na qual a geração de energia con- tratada é de, atualmente, 1,3 GW”, diz Christian Schöck, head de In- dustrial Applications da Siemens Energy Brasil. E os negócios vão além da gera- ção. A Siemens Energy também as- sinou um contrato de serviços de longo prazo para operar e realizar a manutenção da usina e ajudar a garantir confiabilidade, disponi- bilidade e desempenho operacio- nal. Outro projeto importante no portfólio da empresa é a planta de geração de energia a gás em Coari (AM), de 40 MW, por meio do ga- soduto Urucu-Manaus. Assim como Kessler, Schöck acredita que o segmento térmico a gás ainda pode crescer, quando for aprovada em definitivo, a nova Lei do Gás. Para ele, a ideia de usar tér- micas como âncoras de consumo teria aspectos positivos, como a ga- rantia de negócios para investido- res e a segurança energética, em- bora haja questionamentos sobre a exploração do completo potencial de redução de tarifa e de mercado competitivo e a falta de estímulo à geração descentralizada como fa- tor de desenvolvimento da infra- estrutura para o interior do país. “De uma forma ou de outra, a no- va lei do gás tem amplo potencial para estimular novos investimentos em térmicas, bem como outros re- levantes investimentos em infraes- trutura”, diz UTE Porto de Sergipe, operada pela Celse
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