Brasil Energia | Ed. 467 - Fevereiro, 2021

Brasil Energia , nº 467, 1 de fevereiro de 2021 113 de 1970, a estatal definiu o seu foco: a exploração offshore. Com a quebra do monopólio da Pe- trobras a partir da Lei do Petróleo, pro- mulgada em 1997, a busca por novos dados passou a ser responsabilidade da ANP. Nisso, surgiram os dados de fo- mento, que eram grandes levantamen- tos sísmicos, de poços, eletromagnéti- cos, gravimétricos, entre outros. Ou se- ja, um pool de informações públicas. Por meio desses dados, que eram ad- quiridos por empresas contratadas pe- la ANP, a agência reguladora conseguiu mapear potenciais bacias e, mais espe- cificamente, possíveis blocos explora- tórios que seriam, depois, vendidos em leilão. Um dos exemplos do sucesso dos dados de fomento é a Bacia do Parnaí- ba, onde a Eneva possui grande partici- pação atualmente. Porém, desde 2018, a ANP não pu- blica mais o Plano Plurianual de Estu- dos de Geologia e Geofísica (PPA), es- tudo do qual os dados de fomento faziam parte. À época, o fim do Pro- grama de Aceleração de Crescimento (PAC) fez com que a ANP parasse de adquirir os dados, já que a aquisição era feita com verbas do PAC. “Com isso, o mercado ficou ór- fão de novos dados. Hoje, nós não te- mos os dados de fomento e, tampou- co, empresas de sísmica têm adquirido dados multicliente para a identificação de novos campos ou reservatórios, al- go que acontece muito no offshore”, afirma Izaias. As campanhas multicliente poderiam até ajudar no reconhecimento das ba- cias terrestres brasileiras, mas existem duas questões principais que atrapa- lham esse trabalho: o período de sigilo dos dados quando adquiridos por uma empresa ou operadora, que pode variar de cinco até 20 anos na ANP, e o fato de que são necessários muitos investimen- tos para as atividades de aquisição no onshore devido à extensão territorial, al- go que as empresas de sísmica não con- seguem arcar sozinhas. “O que acontece no offshore é que os dados sísmicos são licenciados pelas grandes operadoras, pelas majors, que possuem capital para investir nessas ati- vidades. A costa toda do Brasil é, basi- camente, feita de dados não-exclusivos. Já no onshore, as operadoras são de pe- queno e médio porte, os investimentos são menores e mais localizados. Deixar para que apenas o mercado privado se- ja responsável pela criação de novos da- Dados sísmicos públicos terrestres do Brasil são muito antigos, mas soluções existem

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