Brasil Energia | Ed. 467 - Fevereiro, 2021

22 Brasil Energia , nº 467, 1 de fevereiro de 2021 COMBUSTÍVEIS A tingido pelos efeitos da pan- demia de Covid-19, o mer- cado de querosene de avia- ção (QAV) ensaia uma recu- peração a passos lentos, diretamente li- gada ao desempenho do setor de trans- porte aéreo. Este, por sua vez, enfren- ta não só os impactos do vírus no fluxo de passageiros, mas também mudanças comportamentais causadas por ele e que devem permanecer no pós-pandemia. Ao contrário de outros combustíveis, como diesel e gasolina – cuja demanda global está projetada para retornar, em 2021, a níveis similares aos de 2019, se- gundo a Agência Internacional de Ener- gia (IEA) –, o consumo de QAV continuará abaixo dos níveis pré-crise até pelo menos até 2022. O horizonte é projetado pela BR Distribuidora, que viu suas vendas caírem 88% em abril do ano passado – o mês mais afetado pela redução de voos. À Brasil Energia , a companhia de- clarou que vê com otimismo o mercado de aviação em 2021, “sobretudo de- vido à rápida recuperação ocorrida no último trimestre e à força demonstra- da pelas companhias aéreas para supe- rar a maior crise de todos os tempos”. Para a BR, a gradual retomada do seg- mento de aviação foi confirmada pelos volumes comercializados no último tri- mestre de 2020, que mais que dobra- ram ante o período anterior. Ainda assim, de acordo com o sócio di- retor da Leggio Logística, Marcus D’Elia, os números podemmelhorar em 2022, “mas dificilmente vão retomar os patamares de 2019, simplesmente porque haverá uma mudança de hábitos da população”. D’Elia aponta dois motivos que explicam a demora para a recuperação da demanda de QAV: primeiro, as pessoas continuarão deixando de viajar por conta da pandemia, sendo que os programas de vacinação no mundo serão implementados ao longo de 2021; o outro motivo é a mudança de há- bitos em relação às viagens corporativas, já que as empresas aprimoraram a infraestru- tura de comunicação para a realização de diversos tipos de reuniões, “o que necessa- riamente vai reduzir a demanda por viagens ao longo do tempo”. Já para o presidente da Associação Bra- sileira das Empresas Aéreas (Abear), Edu- ardo Sanovicz, a recuperação do segmen- to depende da superação da pandemia e também da recuperação dos setores cor- porativo e de eventos – fortes geradores de passageiros. A mudança de hábitos das empresas “é um fato com o qual nós vamos ter que lidar”. Para enfrentar a possível retração de de- manda, Sanovicz propõe o desenvolvimen- to de estratégias orientadas para o setor de eventos, “porque são passageiros que ge- ralmente viajam para fazer suas reuniões vinculadas a eventos setoriais, de categoria, de algum tipo de produto. Então o fortale- cimento das relações que a gente tem com esse setor e principalmente o fortalecimen- to dos próprios eventos é que vai determi- nar o quanto essa retomada vai ser rigorosa ou não do ponto de vista corporativo”. No Brasil, a expectativa para 2021 na maioria dos segmentos de mercado de de-

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