Brasil Energia | Ed. 467 - Fevereiro, 2021
Brasil Energia , nº 467, 1 de fevereiro de 2021 39 atrás era predominantemente hidrelé- trica, correspondendo a aproximada- mente 90% da matriz de energia elé- trica, e complementada por térmicas a gás e carvão – as usinas a óleo foram majoritariamente utilizadas nos Siste- mas Isolados. No entanto, a matriz elétrica come- çou a se diversificar, com a entrada de fontes renováveis, crescendo gradual e constantemente ao longo dos últimos anos. Hoje, as hidrelétricas possuem cerca de 65% de participação na ma- triz, sendo o restante dividido por térmi- cas a gás, carvão mineral, usinas eólicas, solares, à biomassa, além das nucleares e geradoras a óleo. “Estamos adotando o preço horário no momento certo”, afirma Talita Porto, vice-presidente do conselho de adminis- tração da CCEE, acrescentando que o mercado está pronto para a modalidade por causa da preparação que vem sen- do feita desde 2018. Assim, a base horária passou a ser con- siderada como um avanço porque permi- te a criação de novas modalidades de con- trato e uso mais flexível da energia, além de viabilizar o surgimento de novas tec- nologias, como o armazenamento, com a retenção de energia gerada (baterias) ou acumulada (água de reservatórios), para uso nos horários mais caros, replicando o comportamento de quem utiliza gerado- res a diesel, por exemplo. Outro caminho que ganha atenção é o da autoprodução – já que consumido- res passam a se blindar das variações de preço, com espaço para venda de exce- dentes. Neste campo, a solução do im- passe do risco hidrológico, que travou o mercado por anos, e que está em vias de ser adotada, não significa apenas o destravamento de aproximadamente R$ 500 milhões em créditos para gera- dores à biomassa, especialmente de usi- nas a bagaço de cana, mas também a oportunidade de modernização de usi- nas antigas ou expansão da geração. Ou ainda a construção de novas usi- nas, para autoprodução. Neste caso, cres- ce a perspectiva de consumidores espe- ciais aproveitarem o vácuo regulatório da revisão das regras de micro e minigeração distribuída, que visa reduzir subsídios.
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