Brasil Energia | Ed. 467 - Fevereiro, 2021

Brasil Energia , nº 467, 1 de fevereiro de 2021 67 “A crise no Amapá enseja uma per- gunta: os estados que estão na pon- ta do sistema precisam de um planeja- mento diferenciado? Hoje a expansão do sistema é igual para todos os esta- dos. Isso faz sentido?”, pondera Luiz Barroso, presidente da PSR e ex-presi- dente da Empresa de Pesquisas Ener- géticas (EPE). As três maiores usinas hi- drelétricas instaladas no Amapá – Ca- choeira Caldeirão (219 MW de capa- cidade), Santo Antônio do Jari (392,95 MW) e Ferreira Gomes (252 MW) – es- tão eletricamente conectadas ao siste- ma de 230 kV do estado, ou seja, para a geração delas chegar à rede de distri- buição não há alternativa senão passar pelos transformadores de 230/69 kV de uma Subestação (SE), nesse caso a SE Macapá. Esta alternativa única para a chegada da energia ao estado é considerada co- mo a maior fragilidade do abastecimen- to do Amapá. Mesmo que a carga não justificasse investimento em um segun- do sistema de transmissão independen- te, o fato de o Amapá estar na ponta da linha e na floresta amazônica poderiam ser levados em conta. A linha de trans- missão que escoa energia no Amapá foi licitada em um leilão de 2008, com iní- cio de operação em 2015, após atraso no processo de licenciamento ambien- tal. Naquele momento, o planejamento foi executado sem ter se analisado uma segunda linha de escoamento, nem re- forços. “Optou-se pela solução mais ba- rata, mas não necessariamente a mais segura”, diz um técnico. O governo fe- deral anunciou que estuda mudanças no planejamento energético de estados que estão na chamada ponta do siste- ma elétrico para evitar novas situações como a que ocorre no Amapá. O incidente no Amapá teve custos para todos os brasileiros. No fim de no- vembro, foi publicada a MP 1.010, que autorizou a União a repassar R$ 80 mi- lhões à concessionária CEA, via Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), para cobrir a isenção da tarifa dos ama- paenses. Uma portaria do Ministério de Minas e Energia (MME) autorizou a compra pela Eletronorte de 150 MW de energia elétrica do sistema integra- do nacional, com custo repassado a to- dos os brasileiros por meio da conta de luz. “Esse caso ajuda a mostrar que a análise sobre a implantação de linhas em estados na ponta do sistema de- ve ser discutida sob um olhar mais am- plo”, afirma Barroso. O setor de transmissão tem outro desafio à frente: o envelhecimento do sistema, que pode aumentar sua fragilidade

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