Brasil Energia | Ed. 467 - Fevereiro, 2021
68 Brasil Energia , nº 467, 1 de fevereiro de 2021 TRANSMISSÃO Para o ex-presidente da EPE entre 2004 e 2016 e um dos formuladores do modelo do setor elétrico adotado a partir de 2004, Mauricio Tolmasquim, a questão da confiabilidade expõe uma equação em que há de um lado os ris- cos e de outro os custos. “Quanto mais redundância, mais seguro, mais caro. O ponto ótimo a ser atingido varia de ca- beça a cabeça. O sistema ali foi plane- jado para ficar de pé com contingência. Se fosse um sistema N-2 para 2 falhas, a segurança seria maior, o custo também, mas a probabilidade de uma falha dupla é muito baixa. Às vezes, a análise tem de levar em conta o tamanho do trans- torno caso haja um problema.” Além do planejamento, há um outro ponto que suscita questionamentos. Pa- ra Edvaldo Santana, ex-diretor da Aneel e também da Abrace, em sistemas em que não há linhas alternativas de esco- amento é preciso ter um acompanha- mento diferenciado. “Se a subestação era o único caminho crítico para supri- mento do Amapá, por que não um mo- nitoramento permanente?” Aí vem uma segunda pergunta: quem deveria fazer esse monitoramen- to? Para Edvaldo, a resposta seria sim- ples, mas se tornou complexa. Quan- do o novo modelo do setor elétrico foi criado, em 2004, instituiu-se o Co- mitê de Monitoramento do Setor Elé- trico (CMSE), uma inovação baseada na experiência da Câmara de Gestão da Crise de Energia, estabelecida em 2001 para gerenciar o racionamento de energia elétrica que perdurou entre junho de 2001 a fevereiro de 2002 no Brasil. O assunto não chegou às reuni- ões mensais do órgão. Mesmo se tives- se chegado, poderia haver ruídos. Há alguns meses, o TCU indagou o MME sobre quem responderia pela restrição de oferta que vem desde 2014. “A res- posta é de que é repartida entre o Mi- nistério, a Aneel, o ONS”, aponta. Para ele, a situação se complica porque há mais de 300 concessionários de trans- missão, sendo que algumas socieda- des de propósito específico têm mais de dois acionistas. “Como coordenar isso?”, questiona. Para Tolmasquim, esse ponto tam- bém deve ser analisado com cuidado. “Restringir a competição e reduzir o nú- mero de participantes em uma Socieda- de de Propósito Específico pode com- prometer a competição no leilão e co- locar em perigo a modicidade tarifária. Mas é preciso estudar como coordenar melhor a malha e a governança desses projetos. Isso mereceria um grupo de Mauricio Tolmasquim: quanto mais redundância, mais seguro o sistema, e também mais caro
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=