Brasil Energia | Ed. 467 - Fevereiro, 2021

ENTREVISTA CRISTIANO PINTO DA COSTA 78 Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 todos os ativos possuem. O que eu pos- so dizer é que todos os ativos no Brasil, de certa forma, possuem um plano obje- tivando a redução das emissões de carbo- no. Em relação aos segmentos, cada par- te da cadeia terá a sua responsabilidade e as suas respectivas metas. A minha res- ponsabilidade, como diretor de ativos em produção no pré-sal, é sobre diminuir es- sas emissões no pré-sal. Existe a possibilidade de um projeto de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS) ser construído pela Shell no Brasil? Nós temos duas iniciativas que en- volvem o sequestro de carbono: a rein- jeção de parte do gás que vem com CO 2 no pré-sal e a área de negócio re- centemente inaugurada de Soluções Baseadas na Natureza (Nature Based Solutions), cujo gerente fica baseado no Brasil. Em relação ao primeiro tópi- co, nós fazemos essa reinjeção com a Petrobras, que é a operadora. O proje- to de Mero, por exemplo, possui uma alta concentração de CO 2 , e por isso o FPSO já vem sendo desenhado pa- ra lidar com essa separação e reinjeção do gás. Já o segundo tópico está liga- do ao reflorestamento como sequestro de carbono, entre outras soluções. Ao todo, nós planejamos investir US$ 300 milhões nos próximos dois a três anos nessa área. Voltando ao Shell Talks do início do mês, o senhor também informou que o acordo de colaboração tecnológica da Shell com a Petrobras, firmado em 2017, foi renovado por mais cinco anos (até 2025). Em quais tecnologias as empre- sas estão apostando? Esse acordo cobre várias esferas, não somente tecnologias, mas também processos, até porque as duas compa- nhias possuem muita experiência na exploração em águas profundas. Ao re- novar por um período maior do que o original (de três anos), nós chegamos a conclusão de que estava surtindo efei- to. Nós estudamos, por exemplo, polí- ticas e procedimentos na área de redu- ção das emissões de carbono; o desen- volvimento de novas tecnologias para dutos flexíveis ou fixos que sejam resis- tentes ao fenômeno da corrosão, junto com fornecedores da indústria; quais são as práticas, ferramentas, metodo- logias e designs melhores para a perfu- ração, entre outros assuntos. Qual será o investimento, em média, da companhia no Brasil em 2021? Historicamente, a Shell investe entre US$ 1 e 2 bilhões no país por ano. O retorno das atividades em escritó- rio, programado para janeiro de 2021, se mantém? A probabilidade é que a gente conti- nue em home office até a situação me- lhorar, provavelmente até o final do pri- meiro trimestre de 2021. Nós ainda não temos uma posição firme para passar aos funcionários. n

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