Brasil Energia | Ed. 468 - Abril, 2021

Brasil Energia , nº 468, 5 de abril de 2021 111 necedores. Tudo isso gera, com certeza, um cus- to, um impacto no preço por causa dos custos financeiros, mas limita a atividade de fornece- dores que podem suportar essa carga financei- ra, que é muita alta. Estou falando de centenas de milhões de dólares por ano. Um projeto dee- pwater é muito longo e pode levar a exposições de US$200milhões. É muita coisa. A Saipem até agora conseguiu, mas não é uma situação que pode se tornar padrão. O sr. assumiu o comando da Saipem Brasil pela primeira vez há cerca de três anos, voltan- do ao mesmo cargo desde o segundo semestre de 2020. Qual a diferença da Saipem daquela época para agora? A SaipemBrasil tinha, naquele período, ativi- dade muitomaior. Chegamos a ter seis projetos em execução no Brasil, mantendo o canteiro de Guarujá totalmente mobilizado. Agora, a Sai- pemdo Brasil temuma realidade muito promis- sora. Estamos no mercado certo e temos o pro- jeto de Búzios, que é desafiador. Estou muito satisfeito. Nosso objetivo é fornecer um serviço ótimo ao nosso cliente. Búzios 5 será um proje- to transformador, vai agregar entusiasmo. Esta- mos trabalhando com o objetivo de ter, no mí- nimo, mais um contrato importante nesse ano. Qual será a estratégia da sua nova gestão na Saipem? Obviamente, o crescimento sustentável da empresa. Não gostaria de me encontrar em si- tuação de altos e baixos. Hoje, temos os recursos adequados para o negócio que estamos fazen- do. Estamos muito cuidadosos em contratar no- vos recursos, justamente para manter a susten- tabilidade, mas vamos, certamente, crescer e au- mentar. Estamos tentando também reduzir o nú- mero de expatriados, desenvolvendo times locais de alto nível e também olhando engenheiros re- cém-formados. Esse blend de crescimento é pro- missor. Vamos retomar as operações da Base de Guarujá com Búzios 5 até o fim deste ano. Esta- mos avaliando também a possibilidade de diver- sificar nosso produto, utilizando o novo barco da frota da Saipem, o Saipem Constellation, muito adequado para o Brasil, que trabalha por reeling, enquanto a Saipematé agora, ainda para Búzios 5 está com barco J-lay. Não digo que J-lay não será utilizado, pelo contrário, mas tenho certeza que a possibilidade de a Saipemoferecer tanto o J-lay quanto o reeling ajuda a escolher omelhor recur- so para cada projeto. A Saipem pretende dar prioridade a al- gum segmento específico ou buscar equilíbrio maior entre os segmentos de atuação, já que, ao que parece, o foco no Brasil está direciona- do ao subsea? A Saipem é provavelmente a única fornece- dora internacional que cobre a cadeia toda de óleo e gás e, agora, também os segmentos de energia renováveis e de infraestrutura. Clara- mente, o Brasil é um mercado para a Saipem muito focado no subsea. Isso é um fato, mas a gente está no mercado de FPSO. Temos o FPSO Cidade de Vitória emoperação e estamos dispu- tando dois bids de FPSOs. De que forma a Saipem está vendo o seg- mento de renováveis no Brasil? Estamos de olho para entender o que vai acontecer no mercado de renováveis offsho- re no Brasil. Há muita coisa sendo falada, mas não me parece que seja algo para o ano que vem ou para os próximos dois anos. Parece algo mais para frente. Estamos tentando en- tender como vai se configurar esse mercado aqui. A transição energética é um dos objeti- vos principais da Saipem há vários anos, uma missão. Já temos vários projetos e experiências fora do Brasil. Estamos acompanhando, mas ainda não está claro como será e quais serão as medidas que o governo federal irá adotar. O Brasil terá muito gás também.

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