Brasil Energia | Ed. 468 - Abril, 2021
Brasil Energia , nº 468, 5 de abril de 2021 113 Brasil, mas isso é uma característica que nos des- taca dos demais competidores. ASaipemparticipouda licitaçãoparaodescomis- sionamentodeCação,mas nãoganhouo contrato.O segmento de descomissionamento está sendo visto como uma área de negócio para o Brasil? Isso é uma questão particular. Aqui no Bra- sil a interpretação da Antaq de que um barco de construção é classificado como um barco de apoio, ficando sujeito à circularização, limita o mercado e é uma interpretação com a qual a gente não concorda. Há interesse em desenvol- ver projetos com ativos próprios, que podemos controlar os riscos e a execução das operações. Fazer um projeto com ativo de outras empresas só para tomar risco, sem nenhum valor agrega- do, não adianta muito, não tem muita lógica. Então, para o descomissionamento que pode- mos fazer com o nosso barco certamente olha- mos commuito interesse mas, se existir uma im- possibilidade de utilizar um barco da frota da Saipem porque vai ter risco de bloqueio por cau- sa da circularização, a gente passa isso. A Saipem disputou o bid de Surf da Karoon.A diversificação de contratantes será um ponto de atenção da sua gestão na Saipem Brasil? Claramente sim. Com certeza seria importan- te para a Saipem do Brasil, mas acho que tam- bém para todos os meus colegas competidores. Estamos acostumados a trabalhar com empre- sas estrangeiras lá fora e estamos acostumados a trabalhar no Brasil. Estamos em uma posição boa, tendo a experiência de trabalhar com eles e com a experiência de saber trabalhar no Brasil. Já há um levantamento do custo operacional extra com a covid-19 no Brasil? Quando a covid chegou aqui, no Brasil, eu ain- da estava na Itália, mas não tínhamos projetos em andamento aqui e, dessa forma, não tivemos grandes impactos. Tivemos impacto de custo com o contrato do FPSO Cidade de Vitória, mas é um impacto que precisamos arcar porque não tivemos suporte nenhum do cliente. Conseguimos operar bem com toda a pandemia. O trabalho remoto se mostrou muito eficaz. Acho que a Saipem e as outras empresas deram grande demonstração de profissionalismo e comprometimento. Consegui- mos fechar a proposta de Mero 3 em plena pan- demia de forma remota, juntando os times da Itá- lia, Houston e Paris. Aliás, agora não faz mais dife- rença do lugar que você está, é só tentar buscar o horário certo para todo mundo. Como a Saipem vê a estratégia da Petrobras de passar o faturamento dos novos contratos pa- ra 90 dias? Isso preocupa a Saipem? A estratégia da Petrobras agrava a situação do cashflow das empresas. No fim, chegará um dia em que o mercado não vai mais fazer pro- posta, em que o tender ficará vazio. A capacida- de das empresas mundiais de conseguir dinheiro está limitada. Se você olhar o balanço da Saipem para ver a exposição financeira da empresa, vai perceber que um projeto aqui no Brasil vale ¼ da exposição do grupo. Vamos ver. Até hoje, justamente porque a Saipem é um grupo gran- de, saudável, estamos conseguindo arcar, mas vai ser ruim para o mercado e para a Petrobras. Acaba criando uma situação de sofrimento para o mercado como um todo. Isso vai acabar sen- do repassado a toda cadeia, inclusive aos forne- cedores brasileiros de menor porte. A diferença é que nós somos a Saipem, a TechnipFMC e a Subsea 7. Quem vai sofrer de imediato, cedo, é a cadeia dos fornecedores brasileiros. Como o sr. vê a Saipem do Brasil daqui a cinco anos ou no fim da década? Gostaria de ter a sustentabilidade de ter sem- pre três projetos aomesmo tempo, como CTCO do Guarujá totalmente reativado e começando a discutir um projeto de energia renovável. n
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