Brasil Energia | Ed. 468 - Abril, 2021

12 Brasil Energia , nº 468, 5 de abril de 2021 GESTÃO E a revisão de práticas e processos nas empresas do setor ocorreu também no campo da inclusão. A EDP Brasil, anun- ciou a primeira mulher a ocupar uma vi- ce-presidência na companhia – Fernanda Pires, como vice-presidente de Pessoas e ESG – e elevou o número de mulheres em seu conselho de administração, além de estabelecer metas para ampliar a di- versidade. Ou a AES Brasil, que tem na figura de Clarissa Sadock, a liderança fe- minina que vem crescendo nas empresas do setor. Com suas iniciativas, estas organiza- ções têm um desafio nas mãos: serem vis- tas como caminho para que outras pos- sam alcançar seus objetivos e, assim, tam- bém contribuírem para o cumprimento das metas do E do ESG. Grande parte dos esforços tem sido de- dicada ao aspecto ambiental. Troca de com- bustíveis ou energias fósseis por renováveis, uso racional de energia e compensações de emissões são práticas cada vezmais comuns. A Ambipar, por exemplo, recorreu ao uso de etanol na frota da empresa no lugar da gasolina como forma de reduzir emis- sões de CO2. Ela fechou parceria com a Co- opersucar para realizar a campanha Vá de Etanol, a fim de incentivar o uso do etanol entre colaboradores, clientes, fornecedores e parceiros. A ação prevê adesivar os veícu- los das duas empresas, externando a men- sagem. Onara Lima, diretora de Sustentabi- lidade da Ambipar, estima que a cada 100 mil litros de gasolina substituída por etanol, a empresa possa reduzir em 1,25 toneladas a emissão de CO2 na atmosfera. Outra companhia que recorreu às fontes renováveis de olho no ESG foi a Dow, que firmou contrato de compra de energia solar no mercado livre com a Atlas Renewable Energy para a unidade de Aratu, na Bahia, com duração inicial de 15 anos. A unidade já possui 70% do consumo de energia renovável e o contrato com a Atlas é parte do plano para cumprir a meta global de atender sua demanda de energia, de 750 MW, por meio de fontes renováveis até 2025. Outra meta é reduzir as emissões em 15% até 2030, na com- paração com 2020, e se tornar carbono neutro em 2050. Nessa direção, a Via Varejo, dona das marcas Ponto Frio e Casas Bahia, pretende atingir até 2025 o percentual de 80% do seu consumo total adquirido por meio de renováveis, seja por fontes incentivadas no mercado livre, seja por geração distribuída. A C&A também demonstra pretensão semelhante, ao fechar parceria com a Faro Energy para duas usinas solares que abaste- cerão, inicialmente, 11 lojas localizadas no Rio de Janeiro e em Brasília por 10 anos. A chegada de novas tecnologias co- mo a do hidrogênio verde e de armaze- namento de energia podem acelerar ain- da mais a busca pelo carbono zero, ge- rando potencial inimaginável de negó- cios para as empresas de energia elétrica. A grande questão que ainda está no ar é a real disposição das companhias para se engajarem na agenda ESG. Aguardemos – empresas, indivíduos e sociedade em geral – os próximos capítulos. n

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