Brasil Energia | Ed. 468 - Abril, 2021

122 Brasil Energia , nº 468, 5 de abril de 2021 GERAÇÃO pecialistas, embora seja dessa modalida- de o maior projeto até agora conhecido. O braço de geração e transmissão da Cemig tornou pública há algum tempo sua intenção de construir dois parques fotovoltaicos na superfície do lago da UHE Três Marias (396 MW), um de 60 MW e outro de 210 MW, totalizando 270 MW. “Se houver um sinal da re- gulação esse tipo de solução irá cami- nhar bem rápido”, prevê Carlos Henri- que Afonso, gerente de Expansão da Geração da Cemig e entusiasta das usi- nas híbridas. Segundo Afonso, a empresa já tem em andamento outros três estudos pa- ra instalação de parques solares sobre lagos de hidrelétricas, totalizando cer- ca de mais 500 MW, cujos detalhes, in- cluindo localizações, ainda não estão prontos para serem anunciados. Para- lelamente a empresa, que possui dois parques eólicos no Ceará (Volta do Rio, de 42 MW, e Praias de Parajuru, de 28,8 MW), estuda projetos de híbridas eólica-solar no Nordeste, não necessa- riamente relacionados aos dois parques já existentes. “A complementariedade da forte in- solação durante o dia e de ventos fortes e constantes durante a noite fazem do Nordeste do Brasil uma região propícia a essas combinações. Aliás, as possibili- dades de energias renováveis no Brasil causam inveja em todo o mundo”, res- salta o executivo da Cemig. Quanto às solares flutuantes, Afon- so destaca que além do aproveitamento do espaço ocioso dos lagos há a pers- pectiva, segundo ele já constatada em estudos, de reduzir a evaporação e a perda de volume dos reservatórios. Ainda segundo o gerente da Ce- mig, a solar flutuante evita um dos problemas dos parques fotovoltaicos em terra, que é a poeira produzida pelo ressecamento. Afonso conta que em 2019 visitou solares flutuantes na China e no Japão e constatou a via- bilidade dos empreendimentos, sen- do que, neste último, conheceu a so- lar flutuante mais antiga do mundo, instalada em um reservatório de água para consumo humano. Ele lamenta a tendência das autori- dades brasileiras privilegiarem, inclusi- ve nos debates regulatórios, a alterna- tiva de projetos novos (greenfield) de usinas híbridas por prejudicar principal- mente a combinação hídrica-solar, uma vez que há pouca perspectiva de cons- trução de hídricas novas com reserva- tórios no país. Mas também afeta a construção de parques solares nos ter- renos onde já operam parques eólicos, impedindo a otimização do uso desses empreendimentos. Muitas vantagens Sérgio Fonseca, diretor de Desen- volvimento de Negócios da CTG Bra- sil, subsidiária da China Three Gorges, é outro executivo de grande geradora a ver com otimismo as perspectivas das híbridas no Brasil. “A construção de usi- nas híbridas, principalmente a combina-

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