Brasil Energia | Ed. 468 - Abril, 2021

Brasil Energia , nº 468, 5 de abril de 2021 123 ção eólica-solar, tem potencial no mer- cado brasileiro”, diz. Fonseca realça que a principal vanta- gem neste momento da solução híbrida é a otimização de custos na construção de subestações e de linhas de transmis- são. Mas acrescenta que, quando da re- gulação específica, outros benefícios são esperados, incluindo a otimização dos Montantes de Uso do Sistema de Trans- missão (Must) e, consequentemente, dos custos relacionados com a Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (Tust). Na China, conta, a CTG possui híbridas de eólicas com solares, combinação que ele considera ser também a mais viável aqui. “São fontes com perfil de geração altamen- te complementar”, justifica. Para Fonseca, a combinação comhidrelétrica tem complica- dores que começam por ser esta uma fonte com despacho centralizado. No caso de uma hidro solar, o ONS te- ria que transferir para o gerador a respon- sabilidade de gestão, uma vez que os des- pachos das duas fontes não poderiam ex- ceder os limites de capacidade da subes- tação comum e nem da linha de transmis- são. Essa possibilidade, segundo Fonseca, exigiria mudança no próprio regulamento do Mecanismo de Realocação de Energia (MRE), que hoje não viabiliza tal transfe- rência de responsabilidade. Outro obstáculo às combinações hi- dro solar, para o diretor da CTG Bra- sil, seria o preço de construção da so- lar mais elevado do que em terra, pela necessidade de instalação de flutuado- res, e a geração menor, uma vez que as solares flutuantes geralmente não usam sistemas de rastreamento do sol e nem painéis bifaciais. Fonseca disse que as estimativas de mercado são de que a solar flutuante fica de 20% a 30% mais cara do que a mesma usina em terra. Afonso, da Cemig, reconhece que o custo de instalação é maior nas flutuan- tes, mas entende que esse diferencial ten- de a baixar significativamente quando houver escala para a produção de flutua- dores. E lembra que os novos projetos de flutuantes usam tecnologias mais moder- nas, incluindo rastreamento da luz solar. Pioneirismo em flutuantes A Sunlution, em parceria com a Chesf em projeto de P & D, instalou painéis fotovoltaicos flutuantes em área de 10 mil m² na Usina de Sobradinho, que ge- ram 1MWp. Em uma segunda etapa, já em curso, a capacidade subirá para 2,5 MWp. Para se ter ideia do potencial de hibridização nos 10 GW hidrelétricas da Chesf, em 10% do espelho d’água des- sas hidrelétricas será possível instalar 52 GW em solar flutuante. E em cinco anos seria possível quintuplicar a capacidade. “A instalação das chamadas usinas solares flutuantes terá um impacto eco- nômico, social, ambiental e de eficiência do modelo de geração muito importan- te para o país”, afirma Luiz Piauhylino Filho, especialista em legislação inter- nacional na área de energia e sócio da Sunlution e da KWP Energia. Segundo o executivo, a União Europeia projeta instalação de 3.350 GW adicionais até

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