Brasil Energia | Ed. 468 - Abril, 2021

Brasil Energia , nº 468, 5 de abril de 2021 145 Outro fator que tem acelerado a de- sindustrialização é a lentidão para a pro- moção de reformas estruturantes. Mes- mo as realizadas até então, como a Pre- videnciária e a Trabalhista, ainda não atendem plenamente às demandas da indústria e deixaram insatisfeitos os tra- balhadores do segmento. São aguardadas ainda as reformas Administrativa e Tributária, cuja tramita- ção rápida é prometida pelos presiden- tes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL), e do Senado, Ro- drigo Pacheco (DEM-MG). Também há uma questão mais estrutu- ral, de disrupções tecnológicas, com uma digitalização irreversível em praticamente todos os setores. Segmentos inteiros estão sob revisão profunda de práticas e méto- dos de produção, no Brasil e no mundo. A chamada indústria 4.0 tem como premissas a busca da maior produtivi- dade com a adoção de automatização de linhas de produção e armazenamen- to de dados em nuvem. Com menos custos, indústrias mais eficientes conse- guem oferecer produtos mais baratos – a ponto de ser mais vantajoso importar do que produzir no Brasil. O setor automotivo mesmo, citado no início, passa por transformações que incluem carros autônomos, eletromobi- lidade e compartilhamento de veículos – jovens, hoje, são menos interessados em comprar automóveis, sendo mais afeitos ao uso de aplicativos de trans- porte, como o Uber, e de compartilha- mento de carros, como Turbi e Moove. No caso dos veículos elétricos, cada vez mais fábricas vêm anunciando in- vestimentos em novos modelos elétri- cos e no encerramento da produção de motores a combustão interna. Em paralelo, movimentos como o fei- to pela Ford, de abrir mão de segmen- tos menos rentáveis, como os de mode- los populares, são uma tendência mun- dial, especialmente depois da pandemia transformar ainda mais as relações so- ciais e trabalhistas. Assim, a tentativa de reduzir custos passa a ser cada vez mais obsessiva para as indústrias. O setor elétrico passa a ter um peso relevante, ao dar a cota de contribuição com menos encargos e subsídios nas tarifas de energia, contribuindo com a formação de um cenário mais positivo para a chegada de novas indústrias. E sendo recompensada com maior volu- me de energia transacionada no mer- cado livre – dinamizando, assim, ainda mais o segmento. n Mobilização do setor elétrico em prol de uma nova política nacional que possa atrair mais investimentos

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