Brasil Energia | Ed. 468 - Abril, 2021

144 Brasil Energia , nº 468, 5 de abril de 2021 COMERCIALIZAÇÃO ção dos limites de migração, que trans- forma os especiais em livres). E num ambiente que corresponde entre 25% e 30% do mercado brasilei- ro de energia elétrica, dependendo do grau de atividade econômica, ainda há o fato de que existem quase 400 co- mercializadoras de energia registradas na CCEE, todas em busca de contratos e negócios com eletricidade. Por esses aspectos, é praticamente obrigatória a mobilização do setor elétri- co em prol de uma nova política nacional de reindustrialização, criando-se condi- ções para atrair mais investimentos. Fatores que aceleram saídas A desindustrialização é definida, ba- sicamente, pela perda de participação da indústria na formação do PIB brasilei- ro. Em 2018, a indústria de transforma- ção representou apenas 11,3% do PIB, quase a metade dos 20% registrados em 1976, a preços constantes, de acor- do com estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Em artigo acadêmico, o professor Bento Antunes de Andrade Maia, da Fa- culdade de Campinas e economista do Centro de Cidadania Fiscal (CCiF), de São Paulo, disseca os motivos da desin- dustrialização do país, ressaltando que uma das cinco causas do fenômeno é a globalização que, com a ampliação do comércio entre países, especialmente do eixo norte-sul, promoveu um deslo- camento da produção para países com menor custo do fator trabalho. Um dos fatores que aceleram a desin- dustrialização é exatamente o custo ele- vado da energia elétrica. Uma avaliação recente feita pela Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace) aponta que apenas com a Conta de Desenvolvimento Ener- gético (CDE) e com os Encargos de Servi- ço do Sistema (ESS), o custo é de R$ 80/ MWh, valor comparável com preços de energia negociada por eólicas competiti- vas em leilões para o mercado regulado. A Abrace é a associação que reúne os grandes consumidores de energia, basicamente indústrias, concentrando 50 grupos empresariais que respondem por quase 40% do consumo de energia elétrica do Brasil e 42% de gás natural. São mais de 800 unidades de consumo mapeadas em 25 estados brasileiros. Com tantos pesos-pesados preocu- pados com os custos da energia elétri- ca, a entidade lançou o site O Peso da Luz, que acompanha quanto os consu- midores já pagaram de encargos e sub- sídios. A entidade estima que os brasi- leiros vão pagar R$ 100 bilhões em en- cargos e subsídios, mais ineficiências. Um dos fatores que aceleram a desindustrialização é o custo elevado da energia elétrica

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