Brasil Energia | Ed. 468 - Abril, 2021
16 Brasil Energia , nº 468, 5 de abril de 2021 HÍDRICA ção feita durante o anúncio da inclusão da Eletrobras no Programa Nacional de De- sestatização (PND), estimou o valor em R$ 51 bilhões, já excluídos os R$ 8,75 bilhões que irão para a revitalização do São Fran- cisco e do entorno do lago de Furnas e pa- ra a redução estrutural do custo da ener- gia na Amazônia Legal. Desses R$ 51 bi- lhões, 50% iriam para a CDE e 50%para a União, a título de bônus de outorga. O economista Edmar Almeida, pes- quisador do Instituto de Energia da PUC-Rio, entende que, em princípio, o mercado regulado será penalizado, em- bora também admita ser muito difícil estimar de quanto será essa penaliza- ção, ressaltando que muitas distribui- doras sobrecontratadas irão até sair ga- nhando. “Vai ser caso a caso”. Para o engenheiro Paulo Cunha, pes- quisador da FGV Energia, “é muito es- peculativo” falar agora o que vai acon- tecer no mercado. Cunha destaca que a criação do regime de cotas em 2013 desorganizou o setor elétrico, mas que o mercado já aprendeu a conviver com essas cotas. Ainda assim, o pesquisador vê como interessante uma ação no rumo da reorganização, mas que não é este o objetivo do governo com a privatização. Para Cunha, os objetivos neste momento são de fazer caixa para o Tesouro Nacio- nal e gerar um fato político, mostrando, após a intervenção na Petrobras, que o governo não é estatizante. Ouvir o Cade Para o mercado livre, a preocupação não é tanto com o risco de aumento de preço, uma vez que, em tese, o aumento gigantes- co da oferta de energia trazido pela Eletro- bras tende a derrubar as cotações. Almeida, da PUC-Rio, aposta nessa perspectiva. Roberto Brandão, coordenador de Ge- ração e Mercados do Gesel/UFRJ, conside- ra que a tendência de alta para o mercado cativo seja provável, mas não “radical”, e que não deve ser esperada no segmento concorrencial, embora esteja preocupado com o peso do novo concorrente. A descotização progressiva é o remé- dio que ele enxerga para que a chegada de um gigante com poder de venda pró- ximo ao de todo o mercado livre atual não desarrume a concorrência. “Não es- tá claro como ela vai colocar essa ener- gia. Não vai dar desequilíbrio?”, pergun- ta Brandão, ressaltando que a entrada de Tucuruí na proposta atual aumentou ain- da mais o poder de fogo do possível no- vo agente. “Vamos ter agora um grande player privado, talvez grande demais”. O Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso, conjunto de usinas formado pelas usinas de Paulo Afonso I, II, III, IV e Apolônio Sales (Moxotó), na Bahia
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