Brasil Energia | Ed. 468 - Abril, 2021

Brasil Energia , nº 468, 5 de abril de 2021 21 O novo diretor-geral da ANP, al- mirante Rodolfo Saboia, é fa- vorável à regulação comome- nor intervencionismo possível e à simplificação dos processos. Em entrevis- ta, o executivo falou sobre leilões, competiti- vidade e muitos mais. O sr. tomou posse no fim de 2020. Já é possível fazer um raio-x da agência? Já tenho uma ideia do conjunto da agên- cia. Tive a confirmação de que a qualidade dos profissionais que conhecia da Superin- tendência de SegurançaOperacional eMeio Ambiente da ANP, do tempo em que fui su- perintendente deMeio Ambiente da Direto- ria de Portos e Costa da Marinha, se esten- de demaneira geral para todos os outros se- tores. São profissionais extremamente qua- lificados e comprometidos com a missão da ANP e com o sentido de dever que o servi- dor público deve ter. Mas e quanto aos desafios? Alguns desafios são muito prementes nesse momento de transformação para um cenário novo que está se desenhando, a partir da quebra de paradigmas históricos, como desinvestimento da Petrobras, o novo mercado de gás e o crescimento da impor- tância dos biocombustíveis no mundo. Eu diria que esses três eixos são muito impor- tantes para o futuro imediato da agência. O ex-diretor-geral da ANP, Décio Oddone, seu antecessor, tinha uma pauta muito ob- jetiva. Qual a sua pauta para agência em se tratando de períodos diferentes? Meu antecessor Décio viveu uma fase di- ferente, extremamente importante pelos lei- lões que a ANP realizou no período. Ainda temos muita coisa para ser colocada em lei- lões, mas esse calendário foi perturbado pe- la pandemia. Não obstante, conseguimos fazer um segundo ciclo da oferta perma- nente, em dezembro, e a previsão dos pró- ximos leilões já programados está bem en- caminhada. A agência tem um grande tra- balho pela frente para se adequar à nova re- alidade dos desafios apontados. A gestão do senhor será pautada por re- gulamentar a abertura dos mercados de gás e de refino. A ANP está preparada para essa demanda? A ANP tem hoje nos seus quadros profis- sionais muito experientes nas suas áreas de atribuição. Já estamos observando a nova di- nâmica do mercado, começando a aconte- cer por conta dos desafios de desinvestimen- to da Petrobras e do novo mercado de gás, e isso já está nas mesas dos nossos servidores. Quais serão as suas prioridades naANP? Acredito que, se atravessarmos essa transição que estamos iniciando com o de- sinvestimento do downstream da Petro- bras, vai se desenhar um cenário completa- mente novo no sentido da distribuição e do abastecimento de derivados, exigindo lei- tura perspicaz do mercado. Isso tudo tem como inspiração a visão de que desejamos um ambiente mais diversificado, aberto e com resultados mais positivos para o con- sumidor. Nesse sentido, temos que traba- lhar primeiro observando as condições em que as empresas vão substituir a Petrobras como proprietárias de refinarias, juntamen- te com órgãos de defesa da concorrência, para que sejam evitados os surgimentos de monopólios regionais ou que haja uma ar- ticulação entre agentes que possa prejudi-

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