Brasil Energia | Ed. 468 - Abril, 2021
22 Brasil Energia , nº 468, 5 de abril de 2021 ENTREVISTA RODOLFO SABOIA car o mercado. Vamos ter que estar vigilan- tes também em relação à regulação, para que infraestruturas essenciais ao funciona- mento de um mercado livre produzam re- sultados positivos. Como o sr. vê a questão da transição ener- gética e o papel do Brasil e daANP nisso? Estamos inseridos, obviamente, em um mercado no qual a principal fonte de energia global é o combustível fóssil, e pretendemos realizar uma transição para uma economia de baixo carbono. O Brasil está muito bem do ponto de vista da transição energética, por- que nossa matriz é muito positiva nesse sen- tido. Em 2050 teremos mais de 10 bilhões de habitantes no planeta. Mesmo que a deman- da por petróleo parasse de crescer, apenas paramanter a condição de hoje teríamos que ter capacidade global de investimento de al- guns trilhões de dólares paramanter o consu- mo. Então, o petróleo, não obstante ser uma fonte em declínio no longo prazo, ainda vai ser muito importante como fonte de energia por muito tempo. E como o sr. vê o papel da ANP nessa transição? Um dos aspectos que está diretamente li- gado às tarefas atuais da ANP é o papel do gás natural como um dos combustíveis que servirá a essa transição energética. É um re- curso natural fértil no Brasil, porém pouco aproveitado. O que se espera desse novo mercado de gás é que ele cumpra esse pa- pel. Como já temos os primeiros sinais de expansão do mercado, é muito importante o papel da agência na regulação do funcio- namento desse processo, que se inicia com o desinvestimento da Petrobras e com a par- ticipação de novos agentes na infraestrutura de transporte, no sentido de articular a har- monização da legislação federal com a legis- lação estadual. As petroleiras defendem a necessidade de recalibrar as expectativas e os indicado- res dos novos leilões, tendo em vista o novo patamar de preço do barril. Como o sr. enxer- ga esse pleito? Hoje, há muitos competidores oferecen- do recursos aos investidores, e o Brasil é um deles. Temos que ter sempre essa calibra- ção, de quanto o Brasil quer extrair como benefício para a sociedade como um todo vis-à-vis o comprometimento que isso po- de provocar no interesse do investidor. Ou seja, a gente tem que extrair o máximo de retorno para o investidor, desde que não façamos isso comprometendo o interesse dele pelo que oferecemos. Mas algumas dessas questões são definidas no nível po- lítico e é preciso instruir os envolvidos so- bre aquilo que os especialistas de mercado sabem, que é a competitividade que existe entre os países. Temos que estar sempre de olho naquilo que nossos competidores ofe- recem, para que a gente não perca a atrati- vidade. Não é meramente uma questão de quanto vamos cobrar ou receber do inves- tidor, temos que ver isso à luz dos que os competidores oferecem. O sr. defende o fim da Partilha de Pro- dução? Não defendo nada especificamente. De- fendo que temos que ser competitivos. Co- mo se vai chegar a essa competitividade é uma discussão que deve acontecer no âmbi- to político. O que defendo é que, seja o que for que a lei estabeleça, não podemos perder a competitividade.
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