Brasil Energia | Ed. 468 - Abril, 2021
24 Brasil Energia , nº 468, 5 de abril de 2021 ENTREVISTA RODOLFO SABOIA Alguns pacotes de venda de campos da Petrobras têm ativos que não interessam aos compradores.O sr. é a favor do descomissiona- mento ou acredita na possibilidade de criação de uma espécie de mercado secundário volta- do a campos ainda menores? Sou sempre favorável a que os recursos sejam aproveitados até onde for possível. Es- tender a vida útil dos campos e aumentar o fator de recuperação será sempre positivo, porque vai render divisas, movimentar a in- dústria e gerar renda e emprego. Mas, ob- viamente, isso tem um limite. Não é possível fazer isso indefinidamente. Sou a favor da transferência de operadores secundariamen- te, mas isso deve observar o limite da viabi- lidade econômica, que um dia vai chegar, e teremos que descomissionar. A transição energética força uma atenção ainda maior à questão da celeridade dos pro- cessos ligados ao setor de petróleo. O senhor temalgumaaçãoemmente comrelaçãoa isso? O Brasil precisa ser ágil e inteligente. Ágil porque o petróleo não vai ser a fonte de ener- gia principal que vai mover omundopara sem- pre. Por outro lado, a pandemia gerou um im- pacto severo, e foi necessário tirar do calendá- rio a venda de um produto que chegou a ter, no mercado americano, preço negativo. Tem que existir sempre essa modulação da veloci- dade. Quanto mais rápido formos em colocar à venda o que temos de recursos melhor, mas não podemos perder de vista a forma inteli- gente de fazer isso. Mas essa agilidade à qual me referi não está atrelada apenas à realização dos lei- lões, e sim também a definições de questões em aberto, como definição de campos e ou- tros quesitos que precisam ser fechados... A ANP não dita a velocidade dos leilões. Os fatores que você menciona se encai- xam no aspecto da nossa atratividade, que temos que ser capazes de mantê-la para que os investimentos venham. Temos que mostrar segurança jurídica, previsibilidade, isso é importante para ser capaz de atrair. A venda das refinarias traz à tona a discus- são sobre a garantia de abastecimento do pa- ís. Como aANP pretende atuar quanto a isso? Vamos acompanhar, junto com os órgãos de defesa do consumidor, como o novo de- senho do parque de refino do Brasil terá seus proprietários definidos e como eles serão ca- pazes de atender ao mercado. Esperamos também a entrada de novos atores interessa- dos em refinarias de menor porte, que pos- sam aproveitar regiões do país com potencial econômico bom para isso. Uma das questões que se debate muito ainda é o licenciamento ambiental prévio. Co- mo o senhor avalia essa questão? O licenciamento acontece em duas fases, uma delas antes do leilão, feita pela ANP, que faz uma verificação superficial do ponto de vista da análise do impacto ambiental propria- mente dito. A partir daí, na medida em que o agente manifesta interesse, a liberação da li- cença ambiental passa a constituir um dos ris- cos do negócio, a ser tratado entre operador e órgão ambiental. O desafio naANP é estimulante? Estou extremamente estimulado pe- lo desafio que tenho pela frente e estou absolutamente encantado com as pesso- as que tenho trabalhado, pela disponibi- lidade, engajamento e comprometimento com a missão da ANP. n
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