Brasil Energia | Ed. 468 - Abril, 2021

80 Brasil Energia , nº 468, 5 de abril de 2021 PETRÓLEO O episódio da Total evidenciou a falta de interação institucional prévia à esco- lha dos blocos ofertados na 11 a Rodada, quando a major adquiriu a operação das áreas na Bacia da Foz do Amazonas. Na ocasião, o CNPE determinou a escolha das áreas a serem ofertadas e autorizou o certame, realizado pela ANP em 2013. Após apostar o seu capital no potencial petrolífero brasileiro, em uma área de nova fronteira, a Total se viu impedida pelo Ibama (e o MPF) de obter a licença para perfurar na região. Após sucessivas tentativas frustradas, a petroleira france- sa jogou a toalha, transferindo a opera- ção de cinco blocos para a Petrobras. “Eu me preocupo com a mensagem, porque ela acaba sendo incompleta. Pa- ra um processo tão longo e tão relevante para a captura de oportunidades no país, a questão ambiental não resolvida acaba se tornando um não atrativo para os inves- tidores”, disse Ilan Arbetman, analista de Equity Research da Ativa Investimentos. Em documento enviado em resposta ao deputado Felipe Carreras (PSB/PE), dia 8 de março, a Superintendência de Segurança Operacional e Meio Ambiente (SSM) da ANP diz que “mesmo estudos ambientais de áreas sedimentares, que têm caráter mais amplo e estratégico, não fornecem todas as respostas para minimizar os riscos em áreas de novas fronteiras exploratórias, como é o caso das áreas em licitação na Bacia Potiguar. Na maioria dos casos, a dis- ponibilidade de dados depende da realiza- ção de estudos específicos e do histórico de atividades realizadas no local”. A expectativa que permanece é que as áreas com exploração consolidada, como os blocos das bacias de Cam- pos e Santos, que estão disponíveis no edital da 17ª Rodada, atraiam os olha- res dos investidores. É possível, tam- bém, que os blocos citados no início da matéria sejam retirados de pauta até outubro, já que, desde que o leilão foi anunciado, o número de blocos em oferta já caiu de 128 para os 92 atu- ais, sendo que 32 dos 36 blocos exclu- ídos foram retirados por questões am- bientais. Dos 32, 24 estavam localiza- dos na Bacia de Pelotas e oito na Bacia do Pará-Maranhão. n Para Carlos Maurício Ribeiro, do Vieira Rezende Advogados, a falta de estudos prévios aumenta o grau de incerteza quanto à viabilidade da obtenção de licenças Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos: questão ambiental não resolvida afasta investidores

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