Brasil Energia | Ed. 468 - Abril, 2021

Brasil Energia , nº 468, 5 de abril de 2021 9 diminuir o abismo que separa os mais necessitados do restante da sociedade. E o G do ESG trata de questões mais di- retamente ligadas às empresas, como ges- tão sustentável, relação com políticos e go- vernos, stakeholders e promoções de cola- boradores, entre outros pontos. Esse tema, aqui no Brasil, ficou ainda mais sensível de- pois das investigações da Operação Lava- -Jato, que expuseram práticas questioná- veis de empresas e trouxeram novo olhar para os malefícios da corrupção. Para atualizar a sociedade sobre as dis- cussões que vêm sendo travadas nos últi- mos anos, o Centro Brasileiro de Desen- volvimento Sustentável (CEBDS) lançou recentemente o estudo Visão Brasil 2050, um olhar na direção de um futuro susten- tável e de como seria possível alcançá-lo em 30 anos. A análise mostra qual o ce- nário atual, onde estaremos em 2030 e o que precisará ser feito até 2050 para que se atinjam os objetivos planejados. Peça de marketing? De tempos em tempos, o mundo cor- porativo aposta em conceitos que se tor- nam badalados e depois se perdem pelo tempo. No passado, termos como respon- sabilidade social, sustentabilidade e gover- nança corporativa eram bradados em rele- ases de imprensa e campanhas de marke- ting por 10 entre 10 empresas, em busca do convencimento das pessoas de que são sustentáveis, éticas e socialmente corretas. O problema, em muitos casos, é que os fatos sobrepõem-se aos discursos. Co- mo no caso da Vale, que apresentava uma imagem de ser preocupada com o meio ambiente, mas ficou seriamente compro- metida depois dos rompimentos das bar- ragens de rejeito de minério de Mariana (de cuja mina era sócia na Samarco) e de Brumadinho, em Minas Gerais. Com o passar do tempo, todas essas expressões foram revistas (ou recicla- das?) e apresentadas sob o guarda-chu- va da sigla ESG. Mas, ao que parece, parte do universo corporativo acordou para a necessidade de sair do discurso e partir para iniciativas concretas, espe- cialmente devido à necessidade de ace- lerar as ações para reduzir drasticamen- te as emissões de gases de efeito estufa. Realidade no mundo financeiro No mercado financeiro já é possível en- contrar iniciativas especialmente voltadas ao tema, já que fundos ESG definem os inves- timentos que priorizam a sustentabilidade, fortemente baseada na ação ambiental. A prática não é recente: há alguns anos já existem diversos fundos de inves- timento que deixaram de aplicar recursos em empreendimentos considerados da- nosos ao meio ambiente, como termelé- tricas a carvão mineral. No entanto, no- vas iniciativas ajudaram a dar mais visi- bilidade à estratégia ESG das empresas. A Fitch Ratings, uma das principais agências globais de avaliação de risco, criou uma metodologia que mede a vul- nerabilidade de empresas e títulos de dívi- da a partir de cenários que considerem fa- tores ESG. Na B3 já existem três índices de referência que reúnem fundos de ações

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