Brasil Energia | Ed. 469 - Junho, 2021
Brasil Energia , nº 469, 1 de junho de 2021 33 de sucesso no mercado e muitos outros sendo estruturados, agora contemplan- do também projetos solares. O fenômeno passou a ocorrer depois da queda acentuada dos preços em lei- lões das fontes eólicas e solares, a partir de 2017, o que provocou entre os gera- dores a busca por novas oportunidades para rentabilizar seus projetos, levando- -os a estruturar modelos para crescer no mercado livre. Pelo lado dos consumidores, os pre- ços baixos das fontes também desper- taram o interesse de firmar os PPAs de longo prazo, mesmo para grupos que operam no volátil mercado de commo- dities. Foi então o casamento perfei- to, complementado ao longo do tem- po com a adesão de boa parte do mun- do corporativo ao conceito de ESG, que passou a estimular a limpeza da matriz elétrica das empresas. Com o novo cenário, não demorou para que os envolvidos nas estrutura- ções dos novos projetos para o ACL res- gatassem o modelo da autoprodução por equiparação, que já havia sido ado- tado nos anos 2000 em projetos de hi- drelétricas, nos quais grandes consumi- dores eletrointensivos entravam como sócios das SPEs com a compra de ações ordinárias com direito a voto. Com a participação minoritária, os consumido- res se habilitam a se tornar agentes au- toprodutores e estruturam com os de- senvolvedores acordos para compra de percentual de participação societária equivalente ao volume de energia que desejarão consumir ao longo de um PPA de longo prazo. A estratégia tem o benefício de ga- rantir energia mais barata nos contra- tos para os consumidores, tendo em vista a redução de encargos pagos por consumidores obtida pelos autopro- dutores, principalmente os referentes à contribuição da CDE. Mais impor- tante para empresas no Sudeste, onde os encargos são maiores, em média a redução no preço oscila entre R$ 30 e R$ 50 por MWh. Para o responsável pelo segmento de energia em project finance do Banco Santander, Igor Fonseca, o resgate do modelo de autoprodução por equipara- ção permitiu a alocação de riscos entre os sócios dos parques. De um lado, os geradores lideram a parte técnica dos projetos, com a construção, estrutura- ção do financiamento e operação e, pe- lo lado dos autoprodutores, há a garan- tia de energia mais barata, segura para o período do contrato e limpa. O sucesso da estratégia se confirma com os números dos projetos em reno- váveis estruturados pelo Santander: dos 5,6 GW assessorados pelo banco no mercado livre, 35% deles são no mode- lo de autoprodução. Até o fim do ano, segundo Fonseca, mais 1,5 GW se via-
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