Brasil Energia | Ed. 469 - Junho, 2021
42 Brasil Energia , nº 469, 1 de junho de 2021 RENOVÁVEIS Além da previsibilidade da TUST e da celeridade para obtenção de outorga da Aneel, o benefício da garantia de conexão ao SIN também se torna ainda mais im- portante, segundo Araripe, por conta da corrida que está acontecendo de pedidos de outorgas de projetos solares, que ain- da querem se beneficiar dos 50% de des- conto da TUST, cujo prazo estabelecido pe- la lei 14.120/2021 é fevereiro de 2022, e que estrangula o escoamento de energia em vários pontos de conexão no Nordeste. O problema dessa corrida, explica o executivo, seria a falta de isonomia entre as fontes, já que os projetos solares, ao contrário dos eólicos, não demanda apor- te de garantias para os pedidos de outorga e acabam ocupando pontos de conexão, mesmo que não sejam logo realizados, pa- ra garantir o desconto da TUST, tomando o lugar de projetos eólicos. “Está tendo re- cordes de DROs emitidas para solares”. Na estratégia da Casa dos Ventos com os leilões, para obter garantia mínima pa- ra o mercado regulado e dedicar os restan- tes 70% para PPAs no livre, a ideia é criar um novo cluster eólico, implementar pelo menos 300MW solares nos complexos eó- licos de Babilônia Sul, na Bahia, e Rio do Vento, no Rio Grande do Norte, forman- do usinas híbridas, e também implementar usina solar fotovoltaica. Neste último caso, estão sendo estudados projetos de UFVs no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. O fôlego da Casa dos Ventos em cadas- trar tantos projetos se explica dentro do pla- no de manter o ritmo futuro de expansão, já que até 2023 todos os seus três projetos, todos eles estruturados com o mix de 30% no regulado e o restante no livre, estarão fi- nalizados. E logicamente, segundo Arari- pe, nos próximos meses todos os ativos em construção já terão a energia contratada. Em operação, a empresa tem o Fo- lha Larga, de 151,2 MW, na Bahia, desde abril de 2020. Já o Rio do Vento, de 1.038 MW, no Rio Grande do Norte, terá sua primeira fase inaugurada no segundo se- mestre e a segunda entrará em operação no primeiro semestre de 2023. Por fim, o Babilônia Sul, de 360 MW, na Bahia, co- meça a operar em 2023. Essa fase de in- vestimentos do grupo envolve R$ 7 bi- lhões, sendo R$ 2,5 bilhões já realizados. Outros geradores importantes tam- bém apostam nos leilões para viabilizar novos projetos para venda no mercado livre. A Voltalia, por exemplo, cadastrou no A-3 e A-4 1.485 MW em projetos, sendo 781 MW eólicos e 704 MW de solares. Segundo o presidente da em- presa, Robert Klein, há entre eles proje- tos com o perfil para venda de garantia física mínima para obter os benefícios regulatórios do ACR. Apesar de estar concentrada na bus- ca por crescimento no mercado livre, as- sim como todo o setor eólico, a Volta- lia, segundo Klein, espera também que ocorra uma retomada nos volumes con- tratados nos leilões de ACR. Quando houver essa retomada, a expectativa é a de que aconteça uma repartição que fa- ça sentido entre a demanda a ser supri- da por térmicas a gás de um lado e do outro pelas energias renováveis.
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