Brasil Energia | Ed. 469 - Junho, 2021
Brasil Energia , nº 469, 1 de junho de 2021 43 Só 1 GW A estratégia de usar os leilões para re- forçar a atuação dos grandes empreen- dedores no mercado livre, que se aprovei- tam da competitividade das fontes renová- veis para negociar melhores contratos com consumidores interessados em reduzir os gastos com a energia do mercado cativo, simboliza a perda de protagonismo do me- canismo para aumentar a capacidade de geração do país, que por sinal não cresce e, portanto, não demanda mais energia. Para o gerente de estudos energéti- cos, preços e tarifas da PSR, Rodrigo Gelli, no máximo o leilão A-5 deve contratar 1 GW e menos do que isso o A-3/A-4. “Foi se o tempo que um leilão de energia no- va chegava a contratar 4 GW”, disse. Se- gundo ele, no caso dos leilões de longo prazo pode ser um pouco melhor já que as distribuidoras teriam maior prazo para diluir a sobrecontratação. Mas trabalha também contra o ce- nário para viabilizar a energia nova via leilões no médio prazo, na opinião de Gelli, o fato de o Mecanismo de Com- pensação de Sobras e Déficits (MCSD) permitir que distribuidoras com déficit de energia compensem com outras so- brecontratadas montantes de energia elétrica adquiridos em leilões. Embora alguns processamentos do MCSD pro- movidos pela CCEE não tenham ocor- rido por falta de declaração de déficit, caso haja necessidade o gerente da PSR entende que o mercado cativo poderia suprir suas demandas pelo menos até 2026 com o mecanismo. Mais um in- dicativo de que os próximos leilões po- dem servir mais para auxiliar o cresci- mento do mercado livre, sobretudo com as novas renováveis, do que para de fa- to cumprir seu papel de atender a de- manda das distribuidoras. n
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