Brasil Energia | Ed. 469 - Junho, 2021
Brasil Energia , nº 469, 1 de junho de 2021 93 Isso levou empresas de todos os seg- mentos da economia e todos os países a buscar caminhos para reduzir a pegada de carbono e reduzir custos e desper- dícios. Nesse contexto que figuram as cleantechs, empresas que se destinam a criar soluções de tecnologias limpas. Enquadram-se na categoria de cle- antechs empresas que se especializa- ram em novos modelos de negócios ou novas tecnologias baseadas na redu- ção ou eliminação do uso de recursos naturais (renováveis ou não), da emis- são de gases de efeito estufa, especial- mente CO 2 , e de resíduos. São exem- plos de cleantechs empresas que utili- zam novos materiais para a geração so- lar ou aproveitam resíduos para gera- ção de energia. Ou ainda recorrem ao uso do blockchain para a comercializa- ção de energia. O Brasil vem acompanhando essa tendência mundial com o surgimento de empresas que comercializam produ- tos e serviços verdes, de olho no irrever- sível e cada vez mais lucrativo caminho a ser seguido. No entanto, no Brasil, o cenário pa- ra a inovação no setor elétrico brasileiro está em compasso de espera, por ques- tões conjunturais: a crise causada pela pandemia de Covid-19 fez com que as empresas de energia fossem fortemente impactadas pela retração na demanda, aumento da inadimplência e sobrecon- tratação de energia. Tais fatores trouxeram risco de pres- são sobre as tarifas, já em trajetória crescente. Uma das saídas encontradas foi direcionar recursos não utilizados em pesquisa e desenvolvimento e em efici- ência energética para a Conta de De- senvolvimento Energético (CDE). Esses recursos, parte de um mon- tante que corresponde ao mínimo de 1% da receita operacional líqui- da a ser obrigatoriamente investi- do por empresas de energia em P&D (0,75% da receita) e eficiência ener- gética (0,25%), de acordo com a Lei 9.991/2000, já eram disputados por uma grande gama de projetos apre- sentados anualmente à Aneel. Outro fator de impulso às cleantechs é a abertura do mercado para os peque- nos consumidores, o que dá um caráter mais varejista à comercialização no mer- cado livre. Atualmente, são os consu- midores especiais que vêm sustentando a alta de migrações, muitos deles com demanda entre 0,5 MW e 1 MW. Em média, são 150 migrações por mês, de acordo com a Câmara de Comercializa- ção de Energia Elétrica (CCEE). Por outro lado, as cleantechs en- contram o dinheiro que vem de fun- dos de investimento, bancos, empre- sas de energia e grandes corporações que precisam cumprir metas de des- carbonização. Tanto é que as próprias empresas de energia entraram no circuito, ajudando na aceleração das startups. Foi o caso da Delfos, startup de tecnologia que de- senvolve aplicações com uso de inteli- gência artificial para operação de ativos
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