Brasil Energia | Ed. 469 - Junho, 2021

ENTREVISTA Roberto Ardenghy e Viviana Coelho 98 Brasil Energia , nº 469, 1 de junho de 2021 Prova de que estamos nos preparando para o futuro são os projetos de diesel renovável e bioquerosene ROBERTO ARDENGHY Os campos gigantes do pré-sal apresentam uma intensidade de emis- sões que representa apenas metade da média do setor. Isso se deve às carac- terísticas do óleo ou aos esforços ope- racionais da Petrobras em reduzir a pegada de CO 2 ? Roberto Ardenghy – Isso é resultado do esforço de com- preensão da Petrobras acerca da vantagem comparativa do óleo do pré-sal no mercado interna- cional. Sabemos que a transição energética é um processo grada- tivo, que não acontece da noite para o dia. Nessa direção, cami- nhamos para um mundo onde a precificação dos produtos será baseada em dois critérios: preço e carbono – este último é um ín- dice de valor que crescerá cada vez mais. O pré-sal ilustra o melhor exemplo de como umprojeto de- ve ter resiliência para se sustentar no longo prazo, pois é competi- tivo em termos de custo e de in- tensidade emCO 2 . No centro dis- so tudo está a estratégia de rein- jeção de CO 2 , que nos permite aliar os fatores econômico e am- biental de forma simultânea. Viviana Coelho – A vanta- gem do reservatório do pré-sal se traduz na alta produtividade de seus campos. Somado a isso, a possibilidade de interligação de poços otimiza a operação e efici- ência dos ativos, o que nos per- mite atingir uma produção maior com um número menor de equi- pamentos. Isso se reflete na efici- ência energética do campo pro- dutor e, por conseguinte, no co- eficiente de carbono. Mas não há dúvida de que a atratividade am- biental do pré-sal envolve deci- sões da Petrobras. Digo isso por- que esses campos poderiam ser operados com o dobro de inten- sidade em CO 2 . Hoje, realizamos o aproveitamento de 99% do gás do pré-sal. Em 2020, opera- mos 18% da capacidade global de CCUS ( Carbon Capture, Utili- zation, and Storage ) com a rein- jeção de 120 milhões de tonela- das de CO 2 . Temos campos onde operamos com flare fechado – no longo prazo, a nossa premis- sa é não ter flare . Então, além do excelente ativo do pré-sal, incor- poramos premissas, estratégias, decisões e métricas para tornar nossas ações mais sustentáveis. Alguns analistas afirmam que as companhias internacionais de petró- leo estão estendendo a verticalização e integrando suas operações na cadeia energética, enquanto a Petrobras cami- nha na direção contrária. Isso procede? Roberto Ardenghy – Es- sa ideia de que estamos desver- ticalizando a estrutura de negó- cios da Petrobras não é correta. Ao fim do processo da venda de ativos do parque de refino e lo- gística, teremos 50% da capaci- dade de refino no país, que es-

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