Brasil Energia | Ed. 469 - Junho, 2021
Brasil Energia , nº 469, 1 de junho de 2021 99 tará concentrada nas cinco maio- res e mais competitivas unidades, localizadas nas regiões Sudeste e Sudoeste, de frente para o pré- -sal. Então, do ponto de vista es- tratégico, buscamos uma racio- nalização vertical. E é importante destacar que faz parte da nossa estratégia levantar recursos atra- vés do desinvestimento em refi- narias para ir em direção ao cha- mado “refino do futuro”, onde teremos o diesel renovável e o bioquerosene. O óleo do pré-sal tem boa entrada nas refinarias asiáticas, principalmente em função das especificações da IMO 2020. Diversas refinarias da Petrobras que estão à venda (Reman, Lubnor, Re- gap e Repar) possuem capacidade pa- ra produzir bunker quando há indicação econômica para tal. O mesmo se aplica à Rlam, vendida recentemente. Portan- to, por que não preservar essas unida- des para agregar valor ao óleo do pré- -sal no mercado internacional? Roberto Ardenghy – Você tem razão quando afirma que o óleo do pré-sal possui diferen- cial competitivo no que se refe- re ao baixo teor de enxofre. É um dos poucos petróleos que estão “prontos” para a regra da IMO. Essa é uma das razões pelo qual ele é muito apreciado pelos mer- cados asiáticos. No caso da Chi- na, é preciso destacar que o pe- tróleo do pré-sal tem característi- cas muito semelhantes como pe- tróleo produzido no Mar da Chi- na, cuja produção está em declí- nio. Como as refinarias chinesas tinham se preparado para pro- cessar esse tipo de óleo, o óleo do pré-sal atende às especificida- des dessas unidades. Em relação às unidades de re- fino da Petrobras, por vezes o custo logístico de levar o petró- leo do Sudeste para uma refina- ria no Nordeste, por exemplo, não justifica o movimento para tirar o bunker e exportá-lo. Às vezes, é mais fácil fazer a expan- são do parque de refino existente no Sudeste, que está próximo da fonte produtora, do que fazer o passeio de petróleo para conver- ter em produtos como bunker. Então, a Petrobras realizou esses cálculos e concluiu que é mais barato fazer a expansão no Su- deste do que realizar essa movi- mentação. A Petrobras possui importantes ini- ciativas e compromissos ambientais. Mas fica a impressão de que não há no horizonte da companhia uma estraté- gia de transição energética. Além do foco no pré-sal, qual a estratégia da empresa para o futuro? Roberto Ardenghy – Prova de que estamos nos preparan- do para o futuro são os projetos de diesel renovável e bioquerose- ne, mencionados anteriormen- te. Isso está dentro da nossa es- tratégia de transição energética. Essa ideia de que estamos desverticalizando a estrutura de negócios da Petrobras não é correta VIVIANA COELHO
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=