Brasil Energia | Ed. 469 - Junho, 2021

ENTREVISTA Roberto Ardenghy e Viviana Coelho 100 Brasil Energia , nº 469, 1 de junho de 2021 Tem uma vertente dessa estraté- gia que consiste em aprimorar a eficiência do processo produtivo. A Petrobras ainda possui um per- fil de alavancagem alto. Portan- to, uma das prioridades é reduzir a dívida para gerar recursos com o intuito de desenvolver proje- tos mais ambiciosos. De um la- do, temos uma reserva de petró- leo formidável para desenvolver; por outro, temos a fragilidade fi- nanceira, que não é própria de empresas como Shell ou Equinor, por exemplo. Então, quando se tem uma dívida anual de US$ 10 bilhões, é necessário ter cautela em realizar investimentos mais robustos em projetos de energia renovável. Mas se não faz os investimentos, a Petrobras não se coloca fora do jogo? Viviana Coelho – Quando observamos a transição ener- gética, é inequívoco dizer que existirá uma desaceleração e re- tração dos fósseis num patamar com certo grau de incerteza, pois existem diversas corridas tecno- lógicas em curso. Também é in- contestável o fato de que have- rá oportunidades e mercados em expansão, como renováveis e combustíveis de baixo carbono. Diante de tal cenário, qualquer empresa vai reagir a partir de três blocos de premissas: o primeiro diz respeito ao portfólio de óleo e gás. Se o custo de exploração é muito alto ou se determinado óleo é muito difícil de descarbo- nizar, não haverá espaço para sua inserção nummercado orientado pela transição energética. Em su- ma, só terá mercado para óleos mais eficientes; o segundo bloco refere-se ao estágio de evolução de determinado mercado e os ti- pos de incentivos que são oferta- dos; o terceiro bloco trata do ba- lanço patrimonial, pois é preciso que o caixa esteja em dia para fi- nanciar a diversificação. Em qual desses blocos a Petrobras está inserida? Viviana Coelho – A Petro- bras é detentora de um óleo de altíssima qualidade e está em processo de correção do seu ba- lanço patrimonial. A meu ver, temos um perfil muito favorá- vel em termos de diversificação energética. Somos um dos maio- res produtores mundiais de hi- drogênio e chegamos a produzir 8% da energia elétrica do país, o que prova a nossa capacida- de e competência para diversifi- car nossa matriz. Além disso, te- mos clareza de que o nosso do- mínio tecnológico no offshore é uma vantagem competitiva pa- ra a fronteira da eólica offshore que está se abrindo. É importan- te dizer que não abandonamos os projetos de P&D ou mesmo o desenvolvimento de modelos de negócios em nenhum desses no- vos mercados. A nossa estratégia inclui ainda projetos de P&D em renováveis modernas. No entan- to, eles se tornam aposta comer- cial apenas quando fazem senti- do econômico. Enquanto não ti- vermos capacidade para ser um player de classe mundial em de- terminado segmento, é tudo ex- ploratório. Vamos marcando po- sição e desenvolvendo compe- tências até chegar lá. Tendo em vista a imensidão da cos- ta brasileira, o domínio tecnológico da Petrobras e o potencial do mercado de eólica offshore, não era o caso de a Petrobras ter mantido o projeto piloto para geração eólica offshore no cam- po de Ubarana, no litoral do Rio Grande do Norte? Viviana Coelho – A eólica offshore continua sendo um dos pilares de sinergia da companhia, não mudamos a nossa estratégia de investimentos nesse segmen- to. O exemplo disso é que temos projetos para descobrir o que cha- mamos de “sinergia para consu- mo próprio”, tendo em vista que a Petrobras é umgrande consumi- dor de energia. De repente, pode- mos ter plantas de eólica offshore fornecendo energia para nossas operações. Então, não deixou de ter prioridade. No caso específico daquela planta de demonstração,

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