Brasil Energia | Ed. 469 - Junho, 2021
Brasil Energia , nº 469, 1 de junho de 2021 101 perdeu o sentido regional. Tínha- mos uma planta de P&D minús- cula num local onde não se es- perava mais ter uma operação, o que desestruturou o projeto. O que perdeu sentido não foi a nos- sa pretensão no segmento de eó- lica offshore, mas a demonstração naquela localidade. Hoje, temos mais informações, conhecimento e planejamento do que tínhamos naquela época. Basta lembrar que o piloto de Ubarana era baseado em jaqueta fixa, mas nós já esta- mos estudando projetos de eólica flutuante. Quais são as principais estratégias tecnológicas de P&D que a Petrobras está adotando para descarbonizar su- as atividades? Viviana Coelho – Nós temos três grandes vertentes de P&D: a primeira diz respeito à descarbo- nização das operações, que con- templa eficiência energética e efi- ciência operacional. Um dos as- pectos tecnológicos dessa linha consiste em eletrificar 100% das nossas plataformas, uma ação que tem potencial para reduzir em até 20%as emissões das uni- dades de produção. Nosso objeti- vo é preparar as plataformas para o desafio da transição. Então, o desafio é reduzir as emissões na produção de hidrocarbonetos e zerar perdas de eficiência. Eu tra- balho com a dinâmica de “perda zero”; a segunda linha é voltada para novos negócios em energia que tenham sinergia com o nos- so portfólio atual. Somos gran- des consumidores de energia, portanto temos que viabilizar so- luções energéticas de baixo car- bono. Nessa direção, temos pro- jetos de P&D focados em CCUS de gás exausto, hidrogênio e pro- dução de energia renovável para abastecer as nossas plataformas; a terceira linha, por sua vez, trata de soluções disruptivas que estão mais distantes do radar comer- cial, como mineração submarina. Como a Petrobras avalia a tendên- cia e o movimento de fuga dos investi- dores emprojetos ligados aos combus- tíveis fósseis? Roberto Ardenghy – É cla- ro que nos preocupa. Por isso, estamos buscando complemen- tar o nosso portfólio com novos modelos de negócio. Mas a tran- sição energética é um proces- so gradual. O mundo precisa de energia. Não adianta achar que a chave será virada num instante. Acreditamos que ainda há espa- ço para a produção de energias fósseis. Nesse sentido, estamos fazendo o nosso papel no cená- rio de transição energética como uma empresa de óleo e gás. Nós não negamos a nossa origem tampouco o fato de sermos mui- to competitivos nesse segmento. Agora, a decisão de sair de pro- jetos ligados a combustíveis fós- seis depende de cada grupo de investidores. Viviana Coelho – Nós tra- balhamos muito perto dos for- madores de benchmark finan- ceiro (índice de referência utiliza- do para avaliar a rentabilidade de um investimento). Ninguém tem mais interesse do que a Petrobras em resguardar os seus interesses. Precisamos ter em mente que o petróleo é um produto orientado pela demanda – não há falta de oferta quando há demanda. Em linha com a evolução do merca- do, estamos aprimorando nosso desempenho para produzir pe- tróleo de forma mais eficiente. Nesse sentido, coloco a seguinte questão: o fato de uma empre- sa produzir uma parcela de ener- gia renovável lhe dá o direito de produzir um petróleo de qualida- de ruim? No meu entendimento, cada produto deve ser competiti- vo na pegada de carbono. Então, se somos um produtor de óleo, devemos ser carbon competitive em óleo; se uma empresa produz energia elétrica, deve ser carbon competitive em energia elétrica. Sentimos-nos seguros na estra- tégia de investir na produção de um óleo que cabe num mundo alinhado ao Acordo de Paris. En- quanto isso, vamos continuar es- tudando novas oportunidades. n
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